Imóvel usado, só com documento em dia

Sem documentação em ordem, fuja do imóvel usado. Essa é a principal recomendação que especialistas em mercado imobiliário fazem em tempos de mercado aquecido. Um dos problemas mais recorrentes e que dificulta a venda pelo proprietário são os contratos não oficiais feito pelas partes

Marcelo Moreira

07 de agosto de 2010 | 09h10

Lígia Tuon

Sem documentação em ordem, fuja do imóvel usado. Essa é a principal recomendação que especialistas em mercado imobiliário fazem em tempos de mercado aquecido. Segundo dados divulgados pela Caixa, o volume de financiamentos cresceu 71,72% no primeiro semestre desse ano, na comparação com o mesmo período de 2009. O número de contratos assinados subiu só 16,68% no mesmo período.

Um dos problemas mais recorrentes e que dificulta a venda pelo proprietário são os contratos não oficiais feito pelas partes. “Vários negócios poderiam ser regularizados, mas não são porque muitos acham que um ‘cotratinho de gaveta’ (acordo informal de compra e venda) é suficiente”, afirma Roseli Hernandes, diretora comercial da Lello Imobiliária.

O primordial, antes de dar o sinal para a compra, segundo especialistas, é verificar se o imóvel realmente está liberado para a venda.

“É muito comum adquirir imóvel de pessoas que estão sofrendo processo de execução e nem sabem. Nesse caso, a venda será nula”, alerta José Roberto Graiche, presidente do conselho da Associação das Administradoras de Bens Imóveis e Condomínios de São Paulo (Aabic).

Para evitar complicações desse tipo, existe uma série de documentos que devem ser verificados. “Para que a venda ocorra sem problemas, é importante tirar uma certidão da prefeitura para ver se o antigo dono está em dia com o IPTU, exigir as certidões pessoais dos vendedores, para ver se não estão com títulos protestados, verificar se estão quites com os tributos federais e se não respondem a nenhuma reclamação trabalhista, que hoje é um complicador”, orienta Graiche.

O recomendável, no entanto, é que o consumidor contrate um profissional que possa assessorá-lo. “Normalmente é a imobiliária que faz o trabalho burocrático. Aconselho só que o comprador entre no site do Creci (Conselho Regional de Corretores de Imóveis) para saber se a imobiliária não está condenada e se é confiável”, alerta José Viana Neto, presidente do Conselho.

Após contratar uma imobiliária de confiança, cabe ao consumidor visitar o imóvel para analisar suas condições. “Na maioria das vezes tem uma pessoa morando no local quando essa visita é feita e, por isso, o interessado na compra esquece de verificar lustres, chuveiro e, quando entra no imóvel, descobre que está tudo danificado”, diz Viana.

A dona de casa Selma Rubino não tomou esses cuidados e teve problemas após a mudança. “Estava tudo arrumadinho quando fui conhecer, parecia um apartamento de noiva. Por isso, não abri torneira nem verifiquei conservação dos armários. Ao me mudar, notei que o local estava totalmente diferente. Sem lustre, com armários sujos, cozinha engordurada e vazamentos”, reclama. “Acho que as pessoas devem ser menos ingênuas e observar mais. Nunca confie na primeira impressão.”

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