Imbra: sem salário e sem convênio

Além dos consumidores, muitos funcionários sentem-se abandonados depois da falência da Imbra. E os problemas não se resumem ao atraso de salários

Marcelo Moreira

19 de outubro de 2010 | 12h31

Saulo Luz

 Além dos consumidores, muitos funcionários sentem-se abandonados depois da falência da Imbra. E os problemas não se resumem ao atraso de salários.

A ex-funcionária Tatiana Cristina da Silva, de 24 anos, por exemplo, não consegue mais usar o plano de saúde coletivo que a empresa oferecia (da operadora Notre Dame). Ela estava com duas cirurgias marcadas (uma delas para quarta-feira passada), mas o convênio cancelou os atendimentos por causa da falência da Imbra.

“Passei um mês fazendo exames e a operadora já tinha autorizado as duas cirurgias: uma para retirada de pedra na vesícula e outra de redução de estômago. Porém, às 10h da noite da última segunda-feira, me ligaram do consultório dizendo que o plano de saúde voltou atrás e não autorizou mais o procedimento”, conta Tatiana.

A Notre Dame informa que está analisando o caso e se manifestará em momento oportuno. Procurada, a Imbra não foi encontrada pela reportagem para comentar o caso da ex-funcionária da empresa.

De acordo com Polyanna Silva, advogada da Associação Brasileira de Defesa do Consumidor (ProTeste), a situação é complicada e de difícil solução.

“O plano de saúde é um benefício que a empresa dá aos seus funcionários, portanto, as questões de benefícios serão discutidas nos processos de ações trabalhistas. Além disso, é importante lembrar que os planos coletivos não são regulados pela Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS)”, comenta a especialista.

A Imbra Tratamentos Odontológicos do Brasil surgiu com o objetivo de popularizar o tratamento dentário, mas, desde o início de suas atividades, teve seus métodos de venda de serviços questionados pela Fundação Procon-SP. Além disso, o Conselho Regional de Odontologia de São Paulo (Crosp) repreendeu a empresa publicamente e aplicou multas a dentistas que trabalhavam para a companhia.

Com a falência decretada, o Crosp afirmou que a Imbra tem o dever ético de garantir aos pacientes acesso aos seus prontuários e aos exames complementares.

Além disso, o Conselho de Odontologia se colocou à disposição para prestar quaisquer orientações em relação aos direitos e deveres dos pacientes e dos profissionais atingidos pela falência da empresa. Mais informações podem ser obtidas pelo telefone (0/xx/11) 3549-5500, das 9h às 17h, no Setor de Comissão de Ética da autarquia.

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