Imbra lesa e Panamericano manda conta

Consumidores lesados pelo fechamento da Imbra – que foi uma das maiores cadeias de clínicas dentárias do Brasil – estão sendo cobrados pelo Banco Panamericano, que financiou o tratamento dentário não realizado de muitos clientes

Marcelo Moreira

19 de novembro de 2010 | 08h16

Saulo Luz

Consumidores lesados pelo fechamento da Imbra – que foi uma das maiores cadeias de clínicas dentárias do Brasil – estão sendo cobrados pelo Banco Panamericano, que financiou o tratamento dentário não realizado de muitos clientes. Mesmo sem receber o serviço contratado, há gente sendo ameaçada de ter os nomes enviados aos cadastros de devedores.

A Associação Brasileira de Defesa do Consumidor (Pro Teste) confirma que tem recebido pedidos de muitas vítimas para orientação de como agir. “Provavelmente a Imbra tinha um contrato com o Panamericano para que os contratos de financiamento fossem feitos pelo banco. Assim, os clientes têm recebido cobrança dos financiamentos feitos com a Imbra”, diz Tatiana Viola de Queiroz, advogada da Pro Teste.

Um consumidor que prefere não se identificar contou ao JT que contratou a Imbra em agosto e foi surpreendido com a falência da empresa. “Paguei tudo em cheques – muitos já descontados pelo Panamericano)– e não tive atendimento algum. Nem estou tentando receber o que já paguei. Quero que a empresa não desconte os cheques restantes no futuro.”

Só que já há gente que está com o nome sujo. “O consumidor está sendo duplamente lesado e deve solicitar, por escrito, ao Panamericano, a suspensão do tratamento e da dívida e a retirada do nome dos cadastros de restrição ao crédito”, diz Tatiana.

O próprio banco está oferecendo um modelo de declaração de pedido de suspensão do empréstimo para alguns clientes. Apesar disso, a redação do documento é desfavorável ao consumidor: mesmo com o nome sujo e sem ter recebido nada, o cliente, ao assinar, “confirma” que teve a restituição dos valores, e que já foram feitas eventuais reabilitações junto aos órgãos de proteção ao crédito. A Pro Teste colocou um modelo de solicitação em seu site (www.proteste.orrg.br).

É bom lembrar ainda que o consumidor que pagou algumas parcelas do tratamento (e não foi atendido) tem ser ressarcido. “O reembolso deve ser feito pelo Panamericano. E quem teve o nome inserido em cadastro de devedores pode acionar a Justiça para pedir indenização”, afirma Tatiana.

Falência negada

 Caso o pagamento para a Imbra tenha sido à vista e o consumidor não tenha concluído o tratamento contratado, terá de acionar um advogado para receber sua parte no processo de falência – se ela realmente ocorrer. Mas, em caso de falência, há uma ordem preestabelecida para recebimento dos créditos em que o consumidor é um dos últimos da fila.

A empresa, porém, teve um pedido de autofalência feito no dia 6 de outubro negado – a Imbra não apresentou a relação de todos os bens e, por ser sociedade anônima, os acionistas precisariam se reunir em assembleia e autorizar os administradores a confessar a falência.

Apesar disso, a Imbra deve entrar novamente com pedido de autofalência na Justiça de São Paulo. Caso o juiz opte por colocar a empresa em processo de recuperação judicial, os atendimentos poderão ser retomados o atendimento aos clientes. Em caso de falência decretada, os clientes terão de se preparar para ir à Justiça. O Banco Panamericano não se manifestou sobre o assunto.

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