Imbra: corra em busca de ressarcimento

O consumidor que ainda espera tratamento deve se preparar para pedir o ressarcimento o que pagou à Imbra, empresa que presta serviços odontológicos. Com pedido de falência no Tribunal de Justiça de São Paulo, a companhia fechou as portas e parou de atender

Marcelo Moreira

08 de outubro de 2010 | 08h11

Saulo Luz

O consumidor que ainda espera tratamento deve se preparar para pedir o ressarcimento o que pagou à Imbra, empresa que presta serviços odontológicos. Com pedido de falência no Tribunal de Justiça de São Paulo, a companhia fechou as portas e parou de atender, deixando consumidores furiosos. Segundo a empresa, que retirou o seu site do ar na terça-feira, o motivo da falência é uma dívida de R$ 221 milhões de reais.

Se a Justiça não aceitar o pedido, a empresa terá de reabrir e atender os cerca de 25 mil pacientes mensais ainda em tratamento, mas cada vez mais insatisfeitos. Entre 2007 e 2008, o número de queixas contra a empresa no Procon-SP passou de 5 para 109. Em 2009, foram 153.

Em nota, o Procon-SP informou que, enquanto a falência não for decretada pela Justiça, os contratos devem ser cumpridos. Caso a Imbra não realize os procedimentos contratados, deverá restituir os valores pagos, corrigidos monetariamente.

Porém, caso a falência seja aceita pela Justiça, o cliente deverá contratar advogado para receber seu dinheiro. “A Lei de Falências prevê ordem para pagamento, priorizando outros antes do consumidor – que pode ter chances remotas de recebimento”, diz Mariana Alves, advogada do Instituto Brasileiro de Defesa do Consumidor (Idec). “Nesse caso, a saída pode ser pedir ao juiz a desconsideração da personalidade jurídica da empresa. Assim, os sócios da empresa responderão com bens pessoais para pagamento da dívida.”

Para o cliente que está com parcelas pendentes, o melhor é entrar com ação no Juizado Especial Cível para sustar cheques, boletos e parcelas de cartão de crédito.

O aposentado Hélio Cavallotti, 64 anos, tomou prejuízo de cerca de R$ 6 mil. “Passei por 60 consultas e fizeram quase tudo errado no tratamento. Tanto que procurei um profissional particular que corrigiu e terminou meu tratamento. Eu nem conto mais que vou receber esse dinheiro. Já dou como perdido.”

O gerente de operações, Jadir Tavares de Oliveira, de 44 anos, conseguiu escapar do prejuízo por pouco. Ele já havia pago a primeira parcela de R$ 707,26 e pediu o cancelamento – o que a empresa dificultou ao máximo.

“Só consegui meu dinheiro de volta depois de três meses enviando reclamações para a imprensa. Essa falência era previsível, vendo a maneira que a empresa agia. Ainda bem que consegui meu dinheiro antes. Agora, quem ficou com esse mico na mão, vai sofrer para receber”, diz Oliveira.

A Imbra Tratamentos Odontológicos do Brasil surgiu com o objetivo de popularizar o tratamento dentário, mas teve seus métodos de venda questionados pelo Procon desde o início. No fim de 2008, o órgão emitiu alerta recomendando cautela na contratação dos serviços da Imbra.

Além disso, o Conselho Regional de Odontologia (CRO) repreendeu a empresa publicamente e aplicou multas a dentistas que trabalhavam para a companhia.

No mês passado, os clientes paulistanos da Imbra encontraram as clínicas da empresa com portas fechadas e bilhetes evasivos. A empresa alegou problemas de energia elétrica e manutenção predial. Mais tarde, foi constatado que o motivo era por atraso nos salários dos funcionários, que decidiram parar de trabalhar. Procurada, a Imbra não respondeu ao JT.

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