Idosos ainda sofrem com descredenciamento de hospitais

Marcelo Moreira

06 de abril de 2009 | 19h39

Duas cartas recebidas pela coluna Advogado de Defesa, do Jornal da Tarde, ilustram os maiores problemas que os clientes enfrentam em relação aos planos de saúde, isso em tempos de portabilidade (troca de planos sem carência) e de cada vez mais rigor no cumprimento dos direitos do consumidor. A primeira carta é de Agnes Garcia, de São Paulo, que você lê abaixo:

“Minha avó possui um plano da Samcil e está descontente com os serviços. O plano médico não tem um livro com os dados da rede credenciada. Para marcar uma consulta, precisamos entrar em contato com a central de atendimento e a resposta é sempre que não é possível fazer agendamento para a especialidade solicitada.

Quando conseguimos agendar a consulta, eles só têm vaga para dois meses depois. Minha avó já iniciou duas vezes um tratamento, porém os médicos deixaram o plano e ela teve de recomeçar com outros médicos.

Procuramos o plano para fazer uma reclamação, mas eles não possuem ouvidoria e, por isso, tivemos de falar com o serviço de atendimento ao cliente, que nunca fornece uma resposta.

Minha avó mora em São Caetano e para realizar um exame precisa solicitar pessoalmente um guia em outra unidade. Neste mês, ela se deslocou até a unidade para solicitar autorização para endoscopia e retornou após cinco dias para retirar a guia.

Com a guia em mãos, ela ligou para hospital para agendar o exame e descobriu que esse hospital não era mais credenciado pela Samcil.”

RESPOSTA DA SAMCIL: Contatamos a sra. Agnes, neta da associada, prestamos os esclarecimentos necessários. Informamos ainda que agendamos o procedimento endoscopia na região solicitada.

COMENTÁRIO DA REDAÇÃO:
A consumidora informou que após enviar reclamação à coluna recebeu contato da empresa para marcar o exame. Afirmou, ainda, que o exame foi marcado em um hospital público e que, até agora, não recebeu o documento que autorize o procedimento.

COMENTÁRIO DO ADVOGADO DE DEFESA: Eis mais um caso que comprova a traição que a medicina privada vem fazendo com o consumidor. Mesmo marcado o atendimento, após a reclamação à coluna, a consumidora tem o direito de se dirigir ao Juizado Especial Cível mais próximo e reclamar indenização por dano moral, pois maltratar uma cliente dessa faixa etária durante dias seguidos é algo que ultrapassa muito os dissabores perdoáveis nas relações de consumo.

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