Idoso é o maior prejudicado pleas negativas dos planos de saúde

Marcelo Moreira

24 de abril de 2010 | 22h19

LÍGIA TUON – JORNAL DA TARDE  

 

Talvez por precisarem com mais frequência, os idosos são os que mais sofrem com os planos de saúde. Dos processos em andamento no escritório Vilhena Silva Advogados, 77% são referentes a segurados com mais de 60 anos. A maioria das reclamações é sobre reajuste e negativa de cobertura.

O problema do representante comercial Carlos Roberto Valadão de Freitas, de 65 anos, exemplifica uma situação recorrente no setor. “Tenho um plano de saúde da Itaú Seguros há 27 anos e, quando precisei colocar um marca-passo, o convênio alegou que não cobria colocação de próteses”, conta o idoso.

Enquanto Valadão aguardava a resposta do convênio, ficou internado na UTI de um hospital credenciado e, após 15 dias, foi transferido para um hospital do SUS, onde foi feita a cirurgia.

MARCA PASSO

Carlos Valadão passou 15 dias na UTI e o convênio informou que só cobriria dois (FOTO: PAULO PINTO/AE)

 

Depois de tudo isso, ainda recebi um comunicado da Itaú Seguros, dizendo que iriam cobrir apenas dois dias de internação. Entrei na Justiça e consegui uma liminar. Sem isso, a conta iria ficar em torno de R$ 43 mil”, afirma ele. A Itaú Seguros preferiu não se pronunciar, já que o processo ainda está em andamento na Justiça.

De acordo com Renata Vilhena, advogada que acompanhou o processo judicial, esse tipo de negativa é comum. “Esses casos já são batidos nos tribunais, e o beneficiário sempre acaba ganhando a causa. É um absurdo que as empresas ainda continuem negando procedimentos como esse.”

Além disso, diz Renata, existe súmula do Superior Tribunal de Justiça, determinando que planos não podem limitar a permanência na UTI. “A negativa para internação é um problema antigo e já existem diversas decisões favoráveis ao beneficiário sobre o caso.”

Ao contrário do que ocorreu com Valadão, muitas vezes, a negativa do convênio pode não ser declarada. É o caso da aposentada Maria da Conceição Pereira Ramos, de 63 anos. Ela ficou seis meses à espera de uma resposta por parte da Prevent Senior, após sofrer uma queda, na qual rompeu quatro tendões do ombro.

“Após o acidente, em vez de marcar a cirurgia, o convênio pediu que eu fizesse uma série de sessões de fisioterapia e marcaram a operação para dali a dois meses. Perto da data, fui informada que o médico que ia realizar o procedimento estava de licença”, conta. Depois, chegaram a marcar a cirurgia por diversas vezes, mas ela sempre era adiada na véspera.

Maria da Conceição só conseguiu ser operada seis meses após a queda, e a demora ainda lhe deixou sequelas. “O médico que me operou disse que meus tendões estavam muito danificados e só pôde recuperar dois deles, por causa, entre outras coisas, da demora para fazer a cirurgia”, relembra.

A família de Maria Conceição pretende acionar a Justiça para pedir indenização por danos morais. A Prevent Senior não se manifestou quanto a esse caso.

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