Hidrômetro novo, dúvida nova

Marcelo Moreira

14 de agosto de 2008 | 21h28

ELENI TRINDADE – JORNAL DA TARDE

Hidrômetro novo, mais gastos e mais problemas. É assim que o consumidor pensa quando o assunto é a troca do equipamento que mede o consumo de água de imóveis, que é o segundo item mais reclamado na Ouvidoria do Instituto de Pesos e Medidas do Estado de São Paulo (Ipem-SP) no período de janeiro a julho deste ano. Foram 158 reclamações sobre o medidor.

No total, a Ouvidoria atendeu a 6.211 solicitações entre denúncias, reclamações e pedidos de informações sobre produtos, serviços e instrumentos de medição.

“Depois que as concessionárias trocam os medidores antigos, já desgastados e viciados, por novos, o consumidor toma um susto quando chega a conta no mês seguinte, pois a aferição do consumo é muito mais precisa”, explica Luiz Henrique de Almeida Silva, ouvidor do Ipem-SP. “Assim, é natural pensarem que o equipamento está com algum tipo de defeito.”

Houve 36 reprovações nas análises dos hidrômetros. Segundo Silva, elas ocorreram porque estavam medindo o consumo “a favor do consumidor”, ou seja, menos do que o consumo real.

Quando isso acontece, a concessionária faz a troca do equipamento sem custo para o consumidor e sem cobrança retroativa. “Nenhum dos hidrômetros analisados estava medindo água de forma a prejudicar o consumidor”, afirma o ouvidor do Ipem.

De acordo com a Sabesp, o setor de atendimento ao consumidor da empresa praticamente não recebe queixas sobre hidrômetros. A concessionária informa, ainda, que todos os hidrômetros novos passam por rigorosos ensaios fiscalizados pelo Instituto Nacional de Metrologia, Normalização e Qualidade Industrial (Inmetro) quando saem das fábricas. Portando, segundo a empresa, é normal que, com o decorrer do tempo e com o uso, as partes internas do equipamento se desgastem e passem a marcar menos. É quando a troca é necessária.

Há dois tipos de substituição: corretivas, quando é constatado o mau funcionamento, quebra, vandalismo ou fraude no equipamento; e preventivas, que levam em conta o tempo de instalação do medidor e o volume de água registrado.

Outras reclamações

O medidor de água só perde em reclamações para bombas de combustíveis, com 205 queixas. “As bombas de combustível ficam em primeiro lugar porque sempre que o cidadão fica sabendo de uma operação do Ipem, ele fica motivado a reclamar sobre postos de combustíveis. A maioria das denúncias tem se mostrado procedente”, explica Luiz Henrique Silva, do Ipem-SP.

Em terceiro lugar no ranking aparecem balanças, com 87 reclamações, seguidas de pão de sal (65) e capacete (61). As denúncias, dúvidas e reclamações são recebidas pela Ouvidoria de segunda a sexta-feira pelo telefone 0800-01-30522.

VERIFIQUE SE O HIDRÔMETRO FUNCIONA DIREITO

  • Para solicitar aferição do medidor, entre em contato com o 0800-0130522

  • É preciso encaminhar cópias das três últimas contas de água e aguardar a visita técnica

  • O medidor é retirado na frente do consumidor, lacrado e enviado ao Ipem

  • A análise leva em média três dias e o consumidor recebe um certificado de calibração

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