Green Line oficializa proposta por Samcil

Marcelo Moreira

03 de maio de 2011 | 08h05

Carolina Marcelino

A transferência de clientes da Samcil para a operadora Green Line ainda não está confirmada. É o que anunciou a Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS) em nota divulgada na noite de ontem. A operadora manifestou interesse em assumir a carteira da Samcil, que está em crise financeira, mas a agência ainda não definiu a data para decidir sobre o negócio.

Enquanto isso, estão mantidas as orientações para os 193 mil clientes da Samcil: devem continuar pagando as mensalidades normalmente para ter acesso aos serviços, ainda que precários atualmente, da operadora. A rede da Samcil continua funcionando, apesar da crise.

A ANS informou que recebeu oficialmente ontem uma proposta da Green Line para aquisição da carteira de beneficiários Samcil. A proposta está sendo analisada, principalmente quanto aos documentos legais necessários para a transferência. E é aí que está o problema.

Segundo avaliação da agência, disponível no site do órgão, o equilíbrio econômico-financeiro da Green Line é considerado regular/pior. Essa operadora, que hoje conta com cerca de 326 mil clientes, ocupa a décima posição no ranking de reclamações da aérea da saúde da Fundação Procon-SP.

A aposentada Odila Franco, de 95 anos, paga R$ 432, 84 por mês à Green Line. Ela está há mais de um ano tentando marcar um simples exame de sangue.

“Cada hora eles exigem uma coisa nova. Agora, para eu conseguir fazer uma exame em um dos laboratórios credenciados, preciso passar por um médico do hospital da Green Line, sendo que sempre passei pelo meu médico particular”, disse a aposentada. Há cinco anos, a consumidora realizou uma cirurgia de catarata. Como a Green Line não cobria o procedimento, a família da paciente pagou R$ 16 mil.

A empregada doméstica Irlete Xavier, 58, também é cliente Green Line. Porém, mesmo com convênio particular, teve de recorrer a um pronto-socorro público durante uma crise de enxaqueca.

A doméstica esperou por três meses para conseguir um horário com um neurologista. No dia da consulta, descobriu que o profissional não atendia mais clientes da Green Line. “Fiquei mais dois meses tentando um novo profissional e no meio desse tempo tive uma forte crise.”

Para o advogado especialista em defesa do consumidor e consultor do JT, Josué Rios, essa negociação deve ser muito bem analisada pela ANS. “Empresas grandes e bem estruturadas financeiramente nem pensam em comprar a Samcil, porque eles não querem ‘laranja podre’. Se a agência reguladora aceitar essa venda vai ficar claro: o que a ANS quer é se ver livre desse problema chamado Samcil.”

Caso a ANS não aprove a venda a Green Line, a carteira de clientes da Samcil irá a leilão. Se isso ocorrer, o novo dono não estará obrigado a cumprir o antigo contrato do consumidor.

Crise Samcil

Na semana passada, a ANS determinou que a Samcil transferisse todos os seus beneficiários a outra empresa, por entender que ela não tinha mais condições de arcar com a dívida acumulada em R$ 70 milhões.

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