Governo quer juro menor no cartão

Marcelo Moreira

24 de setembro de 2012 | 16h39

RENATA VERÍSSIMO E CÉLIA FROUFE

O governo está discutindo com a cadeia do cartão de crédito (bancos, administradoras, lojistas, etc) medidas para reduzir os juros cobrados ao consumidor. A avaliação é de que as taxas são muito elevadas no rotativo. Recente levantamento da associação de consumidores Proteste mostrou que, no Brasil, a taxa anual chega a 323%, ante uma taxa básica média inferior a 10% ao ano.

O ministro interino da Fazenda, Nelson Barbosa, disse ao JT que a equipe econômica tem debatido com as empresa do setor fórmulas para resolver a questão. Segundo Barbosa, parte das instituições argumenta que as vendas parceladas sem juros acabam provocando a elevação das taxas, dado o alto risco de calote. A conta é cobrada de quem está no rotativo. “É uma preocupação deles e a gente está analisando se é isso ou não”, disse Barbosa. “Não tem nenhuma decisão.”

O principal ponto da proposta em discussão prevê o fim das vendas parceladas sem juros. Isso significa que quem quiser dividir a venda no cartão terá de pagará mais por isso. “É assim que acontece no resto do mundo. Só no Brasil existe parcelamento sem juros no cartão”, disse um executivo de uma instituição financeira envolvida nas discussões.

Segundo essa fonte, atualmente são os bancos que pagam a conta quando um consumidor não honra a dívida. “O comércio recebe normalmente”, afirmou. Esse mesmo executivo explicou que, em média, 80% dos clientes pagam a fatura em dia. Do restante, 10% renegociam com taxas inferiores ao teto do rotativo e outros 10% acabam pagando o juro mais elevado da categoria.

Esses números resultam em uma inadimplência de 8,5% no segmento, superior à média das pessoas físicas, que atingiu 7,9% em julho. O executivo avalia que, se todos os consumidores passarem a pagar juros em compras parceladas, a taxa mais elevada da modalidade vai cair. “A inadimplência também, porque não teríamos mais taxas de hoje que, são elevadas demais.”

Mas fontes do setor dizem que não há um consenso de todos os segmentos que atuam no setor de cartões em torno de uma mudança tão radical, que seria o fim do financiamento parcelado sem juros. “Não há uma opinião unânime”, afirma fonte do setor que prefere o anonimato.

Para surtir efeito desejado, o fim do parcelado sem juros ou o encurtamento dos prazos dessa modalidade de crédito teria de ser feito simultaneamente por todos os cartões. Além disso, poderia provocar um colapso no consumo e, até mesmo, a volta do velho cheque pré-datado.

Cerca de 90% dos clientes ativos de cartões usam o parcelado sem juros. Essa modalidade de pagamento responde atualmente por 60% do faturamento do setor. Por isso, segundo fontes do mercado, não se trata de apenas acabar com o parcelado sem juros, mas rediscutir um novo modelo para de operação do cartão de crédito.

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