Gerente do banco 'esquece' de falar do imposto aos clientes

Marcelo Moreira

11 de junho de 2009 | 19h51

PAULO DARCIE – JORNAL DA TARDE

Quem procura um gerente de banco para conversar sobre investimentos, em geral, está satisfeito com o atendimento que recebe, mas a forma como seus investimentos são tributados, no entanto, nem sempre fica clara ao fim da conversa.

Ao responder a pesquisa da Associação Nacional de Bancos de Investimento (Anbid), 44% dos investidores de varejo disseram que o gerente do banco, ao oferecer uma opção de investimento nova, não informou como se dá a tributação. A taxa cai para 20% no segmento premium, formado por clientes de maior renda e capacidade de investimento.

“É uma percepção do cliente”, afirma o gerente executivo da área de serviços da Anbid, Ricardo Nardini, lembrando que a poupança, modalidade de investimento mais popular no Brasil, não é tributada.

“O gerente fala que não tem tributo e o cliente passa a não se preocupar com isso. Quando é perguntado, tem a impressão de que não se conversou sobre o assunto”, afirma ele. “Mas pode ser que eventualmente alguém se esqueça mesmo, devido à pressa nos atendimentos na agência”, afirma ele.

A pesquisa foi encomendada pela associação ao Ibope para avaliar os efeitos do programa de certificação profissional promovidos por ela. Foram ouvidos 786 clientes de varejo e outros 264 do segmento premium.

Foram entrevistados 600 profissionais certificados pela Anbid em São Paulo, Porto Alegre, e Recife. A obrigatoriedade de certificação para esses profissionais passou a valer a partir de 2002.

Os resultados – em geral tomados com positivos por Nardini –, mostraram que 64% dos clientes de varejo consideram o atendimento dos gerentes ao menos adequado.

Nos meses em que as entrevistas foram realizadas, entre novembro de 2008 e janeiro de 2009, 53% dos contatos feitos pelos clientes foi para obter mais informações a respeito de um produto no qual eles já investiam.

Nos últimos contatos feitos com um gerente, 4% dos investidores informaram que obtiveram informações por meio chat do banco na internet, 25% por telefone e 78% pessoalmente. Os investimentos considerados conservadores, como poupança e CDB, foram assunto de 90% das conversas, e só 22% falaram sobre ações.

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