Gasto com consórcio aumenta

Os valores médios das cotas de consórcio cresceram até 139,5% na comparação de junho deste ano com o mesmo período de 2009. O número de novos participantes também cresceu e chegou a 1,02 milhão no semestre

Marcelo Moreira

15 de agosto de 2010 | 19h00

Marcos Burghi

Os valores médios das cotas de consórcio cresceram até 139,5% na comparação de junho deste ano com o mesmo período de 2009. O número de novos participantes também cresceu e chegou a 1,02 milhão no semestre, 10,2% a mais que os 926 mil que ingressaram no sistema entre janeiro e junho de 2009. Os dados são da Associação Brasileira das Administradoras de Consórcios (Abac).

Fernando Santini, professor de administração das Faculdades Integradas Rio Branco, afirma que, com a recuperação econômica, mais pessoas conseguem consumir e optam por produtos de maior valor. “Isso explica o aumento do gasto médio com as cotas e o aumento do número de participantes ao mesmo tempo”, diz.

A maior alta no valor médio das cotas ocorreu na modalidade eletroeletrônicos e outros bens móveis duráveis, 139,5%. O preço saltou de R$ 1,5 mil para aproximadamente R$ 3,7 mil. Na opinião de Santini, antes de optar pelo consórcio o consumidor deve verificar se não há um tipo de aplicação que permita rendimento maior em menos tempo.

Apesar do aumento na cota, o número de novos participantes em grupos desta modalidade foi o único que registrou queda no acumulado entre janeiro e junho deste ano comparado com o primeiro semestre do ano passado. O recuo foi de 11,2%, de 51,7 mil para 45,9 mil novos integrantes. O “estoque” de consorciados na modalidade também sofreu baixa: de 111,7 mil em junho de 2009 para 94 mil este ano.

Luiz Fernando Savian, presidente da Associação de Administradoras de Consórcios (Abac), explica que o gasto médio neste tipo de consórcio aumentou porque as empresas que oferecem o produto, concentrado principalmente em redes varejistas, formaram grupos que juntam mais de um eletroeletrônico a fim de que o consorciado tenha direito a vários itens de uma só vez. “A prática faz com que o valor da cota aumente”, afirma Savian.

Segundo ele, a queda no número de participantes explica-se pelo fato de que a maioria das empresas que operam exclusivamente consórcios não vê retorno na modalidade. Savian afirma que o custo do bem para a administradora anula os ganhos com a taxa de administração média, que para um grupo de 60 meses é de 0,2% ao mês. “As redes de varejo por comprarem em quantidades maiores podem oferecer melhor preço e ter retorno mais significativo”, afirma.

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