Fuja do seguro pela internet

Marcelo Moreira

20 de abril de 2010 | 16h01

 Estelionatários se valem do anonimato na web para aplicar golpes na venda de apólices

 PAULO JUSTUS – JORNAL DA TARDE

 Contratar seguro pela internet é uma atitude arriscada, já que o anonimato da rede facilita a vida dos estelionatários que se passam por vendedores de seguros e títulos previdenciários. Leoncio de Arruda, presidente do Sindicato dos Corretores de Seguros de São Paulo (Sincor-SP), afirma que a dificuldade de identificação impulsionou as fraudes nos últimos anos. “Não é seguro contratar uma apólice pela internet”, diz.

De acordo com dados da Superintendência de Seguros Privados (Susep), divulgados ontem pelo JT, o número de denúncias desse tipo de golpes cresceu 43,2% no ano passado, na comparação com 2008. Ao todo, foram registradas 1.832 atendimentos ao público referentes a fraudes. Esse número reflete o aumento na atividade dos golpistas.

A promotora da Justiça do Ministério Público do Estado de São Paulo, Luciene Mendes, diz que o criminoso prefere agir pela internet porque assim deixa menos rastros. “Quando a abordagem é pessoal, bem ou mal ele corre o risco de ser reconhecido”.

Os principais temas dos golpes são os títulos previdenciários e os seguros, de acordo com a Susep. “Eles informam que a pessoa tem direito a uma indenização ou a um resgate de título de previdência, mas que para recebê-lo tem de pagar uma taxa”, diz a coordenadora de atendimento da Susep, Glória da Silva.

Em um dos documentos recebidos por uma das vítimas atendidas pela Susep, o golpista informa que há um crédito previdenciário a receber. O documento, enviado por correio em 15 de janeiro, orienta o contato em sete dias contados da data inicial. No texto, há erros de português e endereços de servidores de e-mail públicos, fatores que levantam a suspeita.

Para Luciene, a rapidez no golpe é uma das características do estelionatário. “Ele tenta obter o máximo de lucro no menor prazo possível, para evitar que seja identificado”, afirma. Em geral as contas bancárias fornecidas e números de telefone fixo que são divulgados pelos criminosos são abertos com documentos falsos e utilizados por pouco tempo.

Os golpes envolvendo falsos resgates de títulos previdenciários em geral são enviados pelo correio ou diretamente pelo estelionatário, por causa do perfil das vítimas. “Nessa abordagem direta ou por correspondência percebemos que as vítimas são de idade mais avançada”.

As pessoas mais idosas, segundo ela, também são o alvo prioritário de golpes envolvendo seguros de saúde. Nesse caso, o procedimento mais comum é a venda de um plano de saúde com informações erradas. “Em alguns casos, o vendedor informa uma data de nascimento diferente da idade da vítima, sem o seu conhecimento, o que resulta em um custo menor do plano”, afirma Luciene.

Outra fraude com seguros de saúde é a omissão de características do plano. “O vendedor diz que o seguro não tem carência, mas quando o cliente vai verificar existe um prazo de dez meses a ser respeitado”, diz Arruda, do Sincor-SP. 

PRECAUÇÕES

 * E-mails, cartas, telegramas ou telefonemas que informam sobre o direito de receber um título previdenciário ou uma indenização de seguros são fraudes. Você pode denunciar esses e-mails para o Ministério Público. Para isso, encaminhe mensagens suspeitas para caocrim@mp.sp.gov.br

 * Desconfie de corretores que se dizem vinculados a uma determinada seguradora. Essa abordagem também é característica de fraude. Para saber se o corretor de seguros é habilitado, consulte seu nome no atendimento do Sindicato dos Corretores de Seguros de São Paulo: 0800 11 4999

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