Fique de olho na bomba de combustíveis

Marcelo Moreira

10 de novembro de 2011 | 07h30

Saulo Luz

Além do combustível adulterado, o motorista paulista deve ficar atento a outro problema na hora de abastecer: bombas de combustível modificadas e que fazem o consumidor pensar estar comprando mais gasolina do que a realidade. O alerta é do Instituto de Pesos e Medidas do Estado de São Paulo (Ipem-SP).

Nesta semana, equipes de fiscalização do instituto visitaram 16 postos de combustível na cidade de São Paulo e autuaram sete (44%). Foram ainda reprovadas 53 (19%) das 280 bombas verificadas pelos fiscais durante a Operação SPC (Supervisão de Postos de Combustíveis) na capital paulista. “Esse tipo de fraude é silenciosa e tem substituído a tradicional adulteração dos combustíveis, que é fácil de ser flagrada e detectada”, conta o superintendente do Ipem-SP, José Tadeu Rodrigues Penteado.

Ele alerta que, em vez de adulterar o líquido, os golpistas estão preferindo fraudar o instrumento de medição. “Basicamente, uma placa de computador faz com que a quantidade de gasolina informada na bomba seja maior do que a transferida para o tanque. É algo mais difícil de ser detectado e mais fácil de ser disfarçado quando chega a fiscalização, pois é possível desativar o mecanismo por celular e controle remoto”, diz.

A operação contou ainda com o apoio de policiais da Divisão de Investigações sobre Infrações contra o Consumidor, do Departamento de Polícia de Proteção à Cidadania (DPPC), que comprovaram fraudes em bombas de dois dos postos fiscalizados. Em um posto na Avenida Victor Manzini, Santo Amaro, a cada 20 litros abastecidos, o consumidor chegava a levar até 1,4 litro a menos.

Em outro, na Avenida Eliseu de Almeida, no Butantã, a diferença chegava até 1,3 litro a menos. Os policiais prenderam em flagrante os gerentes dos dois postos por crime contra a ordem econômica e crime contra relações de consumo. “Além de terem sido encontradas irregularidades em quase metade dos postos, as fraudes detectadas nas placas eletrônicas demonstram a necessidade de atuação tenaz da fiscalização do Ipem”, explica Penteado.

Até outubro deste ano, foram verificadas 77.245 bombas, sendo que 5.559 foram reprovadas por irregularidades, gerando 494 autos de infração. No ano passado, foram inspecionadas 88.637 bombas de combustível e 5.516 foram reprovadas (com 473 autuações).

O postos autuados têm dez dias para apresentar defesa ao Ipem, que, após esse prazo, define multa que varia de R$ 100 a R$ 50 mil, dobrando na reincidência.

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