Ferros melhoram, mas ainda há perigo

Marcelo Moreira

08 de julho de 2009 | 22h04

SAULO LUZ – JORNAL DA TARDE

O consumidor deve ficar atento na hora de comprar o ferro de passar roupa. Teste realizado pelo Instituto Nacional de Metrologia, Normalização e Qualidade Industrial (Inmetro) constatou que 33% dos ferros analisados não possuem informações básicas no manual de instruções e ainda podem causar queimaduras, choques e até incêndios.

O Inmetro realizou uma pesquisa de mercado e identificou 14 marcas diferentes do produto e selecionou as nove com maior participação no mercado (Arno, Black & Decker, Britânia, Cadence, Electrolux, Faet, Mallory, NKS, Philips Walita).

Três modelos (Black & Decker X 530, Cadence IRO605 e NKS K-150) não foram aprovados com relação às informações do manual de instrução para a utilização correta e segura do ferro.

As irregularidades nos manuais se caracterizaram pela ausência de instruções, informações e advertências básicas obrigatórias, comprometendo a segurança do consumidor quanto à substituição correta de componentes (como o cordão de alimentação, que só deve ser substituído por assistência técnica ou profissional qualificado) e ao uso de extensões elétricas adequadas (prática bastante comum no Brasil).

Apesar disso, o problema mais preocupante aconteceu nos ensaios e testes de segurança elétrica, onde o aparelho da marca Cadence foi reprovado por apresentar problema de superaquecimento.

Enquanto a máxima elevação de temperatura permitida na norma para a fiação interna é de 60ºC, o produto apresentou variação de 101,7ºC – aproximadamente 70% acima do limite máximo.

Além de comprometer o bom funcionamento do aparelho, o excesso de aquecimento pode ocasionar queimaduras ao consumidor mesmo em condições normais de utilização.

Apesar dos problemas, os produtos melhoraram desde a primeira vez em que o Inmetro analisou ferros de passar roupa, em 2002. Naquele ano, nenhuma marca atendeu às normas, inclusive nos ensaios de verificação da segurança elétrica.

A Cadence informa que não recebeu qualquer comunicado do Inmetro. Sobre as altas temperaturas do ferro Cadence IRO605, a empresa diz que o material utilizado na fiação interna é de silicone – material mais resistente do que o PVC utilizado em outros modelos – e que foi projetado para suportar temperatura de 180º C.

Neste caso, a máxima elevação de temperatura permitida seria de 135K (equivalente a variação de 135° C).

Sobre problemas com falta de informação no manual, a CBI Indústria e Comércio Ltda (proprietária da marca NKS), a Black & Decker e a Cadence informam que a revisão dos manuais já está sendo providenciada para atender as normas exigidas.

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