Férias: celular gasta 4 vezes mais que o telefone público

Marcelo Moreira

08 de fevereiro de 2012 | 07h19

Carolina Marcelono

Telefone público é a solução para quem quer gastar menos durante o período de férias. Usar telefone celular com frequência fora de sua cidade ou base pode ser até quatro vezes mais caro do que utilizar o orelhão – quem sai de férias normalmente não se lembra de que usar celular durante a viagem eleva muito os gastos por conta das tarifas cobradas pelas operadores – o chamado roaming (cobrança de taxa de deslocamento).

As quatro principais operadoras de telefonia móvel no Brasil – TIM, Oi, Claro e Vivo – têm planos pré e pós-pagos que valem a pena quando o cliente liga para um número da mesma operadora ou da mesma cidade. Em busca da fidelidade, as empresas lançam promoções para atrair consumidores.

Um cartão de telefone público de 20 unidades da Telefônica custa R$ 2,50. Com este cartão em mãos, o usuário consegue conversar durante 40 minutos com qualquer pessoa de número fixo da mesma cidade. E caso uma pessoa esteja na capital paulista e a outra em Santos, por exemplo, a duração do telefonema com este cartão cai para 10 minutos.

Já se um consumidor com celular da capital (DDD 11), viajasse para o litoral ( DDD 13), ele pagaria cerca de R$ 1 para cada minuto de ligação. Ou seja, para falar os mesmos 10 minutos do orelhão, ele teria de desembolsar mais de R$ 10.

De acordo com o advogado do Instituto de Defesa do Consumidor (Idec) Guilherme Varella, o usuário desinformado acaba aceitando certas condições de pagamento, pois as informações passadas pelas operadoras não são claras. “Dizem que você pode ligar para qualquer lugar do Estado por um preço fixo, mas é mentira.”

O que acontece é que as empresas divulgam as tabelas das tarifas de uma maneira que o consumidor acha tudo muito barato. Mas há regras por trás destas tabelas. Por exemplo, a TIM oferece planos pós-pagos no qual o consumidor pode receber chamadas a vontade de qualquer lugar do Brasil por R$ 9,90. Porém, há um detalhe.

A TIM não está presente em diversos municípios e, por isso, usa a estrutura de outras operadoras em algumas cidades. Neste caso, se uma pessoa de Belém ligar para alguém da mesma cidade, com linha do Pará, mas que esteja em São Paulo, quem receber a ligação pagará uma taxa a mais, já que na cidade paraense, a TIM utiliza a estrutura da Claro, que tem tarifas diferenciadas.

Era o que acontecia com a engenheira Natália Marri, de 23 anos, há alguns anos. Com família em Minas Gerais, a cliente paulista da Vivo estava sempre em viagem e mal conseguia usar o celular, por mais que a operadora confirmasse a cobertura naquela região. “Há dois anos a Vivo comprou uma operadora de Belo Horizonte e agora consigo usar o celular. Para receber ligações eu sofria.”

E são nas chamadas recebidas que o consumidor deve redobrar a atenção. Todas as operadoras cobram a taxa de deslocamento, que deixa a conta ainda mais salgada, já que ela é uma tarifa calculada por minuto. A Claro cobra até R$ 2,79, dependendo do local. O valor na TIM é de R$ 1,49.

Pesquisa realizada pelo Idec mostra que a falha está no Serviço de Atendimento ao Cliente (SAC) das empresas que não informam o consumidor que há taxas diferentes caso ele faça ligação ou receba um telefonema fora da sua localidade. É por isso que, antes de usar o roaming, os usuários devem ficar atentos às cláusulas dos contratos e às tarifas cobradas de cada empresa em cada cidade.

Quem viajar ao exterior, atenção: dependendo do tempo fora compensa levar um aparelho desbloqueado e comprar um chip local. Cliente Vivo que habilitar o roaming e for para os Estados Unidos, por exemplo, paga US$ 3,29 o minuto para o Brasil. Para receber uma ligação originada no País, gastará US$ 1,29 por minuto. Mesmo que não atenda o telefone, paga a taxa de deslocamento se houver recado na caixa postal.

A vantagem de ter um telefone móvel desbloqueado é que, nos Estados Unidos, a operadora T- Mobile, por exemplo, cobra US$ 80 por um chip já habilitado a fazer ligações para qualquer número fixo do mundo e para mandar mensagens de texto de forma ilimitada por um mês – são menos de R$ 160. Com o chip brasileiro, o consumidor gastaria no mínimo R$ 500 para falar por apenas três minutos por dia durante um mês com uma pessoa no Brasil.

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