Falta investimento nas redes de telefonia

Marcelo Moreira

19 de julho de 2012 | 12h08

Flávia Alemi e Eduardo Rodrigues

A agressiva expansão da base de consumidores, que fez o mercado de celulares crescer 19% em um ano, para 255 milhões de linhas ativas no fim do primeiro trimestre de 2012, não foi acompanhada pelo investimento equivalente em rede das operadoras de telefonia móvel. O descompasso aumentou o número de reclamações nos órgãos de defesa do consumidor, que culminou ontem com a suspensão da venda de chips de TIM, Claro e Oi.

A base de assinantes da TIM foi a que mais cresceu em 2011 – 25,6%, para um total de 64,1 milhões de clientes. O investimento, porém, subiu menos de 5%, para R$ 2,98 bilhões. A Claro, que não divulga investimentos, chegou a 60,4 milhões de clientes, 17,5% a mais que em 2010.

 A Oi, que viu sua base de clientes subir 15,8% no ano passado, para 45,5 milhões, informou em nota que o investimento subiu 65%, atingindo R$ 4,96 bilhões em 2011. Os números incluem, porém, os quatro serviços da empresa (telefonia fixa, móvel, internet e TV paga).

A Claro responde por 25,5% das linhas telefônicas do Estado e até maio de 2012 tinha 15.945.701 linhas registradas. Para a coordenadora da Proteste (Associação Brasileira de Defesa do Consumidor) Maria Inês Dolci, advogada especializada em defesa do consumidor, a Anatel demorou para tomar uma decisão dessas, pois há muito tempo o cenário tem sido desfavorável.

 “Em 2011, nas queixas de associados da Proteste, verificamos que 81% se referiam a problemas com telefonia móvel”, afirma a advogada. Ela acredita que a medida cautelar da Anatel tenta impedir que os problemas se agravem, mas ressalta que é necessário dar uma solução para as falhas já existentes.

Segundo Eduardo Tude, presidente da Teleco, consultoria especializada em telecomunicações, a medida da Anatel é exagerada. “As empresas estão atendendo às metas de qualidade definidas nos planos da Anatel. A TIM cumpriu 100% e a Claro 85% em abril em todo o País.”

A TIM recebeu a notícia com surpresa e afirmou que vai tomar as medidas necessárias para restabelecer suas atividades. A Oi acredita que a análise está defasada em relação à evolução recente na prestação dos serviços. Até as 20h de ontem, a Claro não havia se manifestado.

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