Entrega rápida de loja online pode custar 200% mais

Marcelo Moreira

16 de novembro de 2011 | 07h21

Marília Almeida

O consumidor que tem urgência no recebimento do produto comprado pela internet pode recorrer aos serviços de entrega rápida. Nesse caso, o envio é feito em, no mínimo, cerca de três horas, porém deve preparar o bolso já que essa comodidade pode ter preço 200% maior do que o cobrado pelo frete convencional.

A comodidade ainda é oferecida de maneira tímida pelas lojas virtuais. A Giuliana Flores, que promete a entrega em até três horas e quinze minutos, é um exemplo. “Caso o consumidor planeje a compra com um dia de antecedência, no mínimo, ele paga R$ 6,90 para o envio do produto pelos Correios. Se quiser entregar no mesmo dia, fazendo o pedido de manhã e entrega à tarde, o frete é de R$ 14,90 e, caso queira entregar nas próximas três horas, sobe para R$ 21,90”, explica o gerente de marketing Juliano Souza. A diferença é de 217% do preço inicial.

A Saraiva diz entregar mercadorias no mesmo dia, com frete de aproximadamente R$ 20 por compra, conforme região e produto. A Passarela Calçados cobra frete fixo de R$ 10 para enviar produtos em até 12 horas. Na Flores Online, o pedido chega em até três horas e cobra R$ 33,90. A Cestas Michelli cobra R$ 28,10 para que cestas de café da manhã sejam entregues no mesmo período do dia.

“A operação é muito cara para as empresas, que repassam estes custos ao consumidor. São poucas empresas de logística que oferecem o serviço. Faltam incentivos no governo no setor de infraestrutura e para criar novas empresas do tipo. Por isso, ele ainda é restrito para o público com renda mais alta e que tem realmente urgência pelo produto”, afirma Alexandre Marquesi, professor do Curso de Marketing Digital da Escola Superior de Propaganda e Marketing (ESPM).

No caso de produtos da Giuliana Flores, o frete maior pode significar mais da metade do preço do produto, como um arranjo de R$ 37,90. No caso da Passarela, o frete de R$ 10 pode compensar o preço dos produtos, calçados e bolsas que giram em torno de R$ 90.

Mas o serviço tem suas limitações. Ele não funciona em datas comemorativas, por exemplo, e o custo do frete pode subir conforme a região e o peso da mercadoria. Além disso, o horário da entrega passa a contar da confirmação do pagamento da compra, o que pode interferir no prazo.

“Dependendo do porte da empresa, compras no cartão de crédito podem ser aprovadas em uma, duas, três horas ou até um dia depois. No caso de boleto bancário, é necessário um dia útil a mais, ao menos, para ter esta confirmação”, diz Pedro Guasti, diretor geral da consultoria especializada em comércio eletrônico e-bit. Algumas empresas, como a Saraiva, ainda alertam que fenômenos climáticos, como chuvas, podem atrasar a entrega.

Guasti acredita que a diferenciação de frete é uma tendência do mercado, caso haja mais investimentos no setor. “A Lei da Entrega no Estado (que obriga as empresas a fazerem a entrega com dia e período marcados) aponta isso. A empresa oferece a opção de agendamento, mas cobra a mais.”

 

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