Endividamento não é o fim da linha

Marcelo Moreira

30 de março de 2010 | 00h23

SAULO LUZ – JORNAL DA TARDE

Ao não conseguir pagar alguma conta, procure o credor e proponha uma renegociação das dívidas em atraso. Ainda que haja cobrança de juros maiores, isso evita que o seu nome vá para as listas de proteção ao crédito, como SPC e Serasa. Caso o nome do consumidor já esteja “negativado”, a renegociação também ajuda, já que a dívida antiga é cancelada para a criação de uma nova. Mas, antes mesmo disso, é recomendável organizar a vida financeira.

“Faça o orçamento doméstico e controle todos os gastos. Só faça uma proposta quando tiver dinheiro disponível para negociar. Pior do que dever é fazer o acordo e não pagar”, diz Reinaldo Domingos, educador e terapeuta financeiro, autor do livro Terapia Financeira e presidente do Instituto de Educação Financeira Disop. “Se o cobrador pressionar, responda: ‘Estou me organizando para sobrar dinheiro e pagar essa dívida’”, completa.

Se a dívida atrasada for de cheque especial, troque a modalidade do crédito antes que o valor fique impagável. “Fuja sempre do cheque especial. Mas se já caiu na armadilha, procure o gerente do banco e diga que quer cancelar o cheque especial (que tem juros de cerca de 10% ao mês)e trocá-lo pelo crédito consignado ou crédito pessoal do banco (taxa de 2,5% no máximo)”, diz Domingos.

Na hora de negociar, também é recomendável “pechinchar”. “Os bancos lucram absurdos com os juros. Em dois anos, uma dívida que era R$ 2 mil pode evoluir para R$15 mil. Isso é inaceitável! Se o devedor tiver paciência e estômago, pode conseguir entre 50% e até 80% de desconto do total”, diz Domingos. Para isso, é necessário que a pessoa tenha atitude e não tenha medo e timidez.

Suponha que um devedor tenha condições de pagar parcelas de R$ 200 de uma dívida total R$ 2 mil. “Se o credor não aceitar os R$ 200 e quiser os R$ 2 mil à vista, você deve dizer que irá ajuntar os R$ 200 por mês até conseguir a soma total”, recomenda Domingos. “E se negativarem o nome, não tem problema. Após quitar a dívida, o seu nome voltará a ficar limpinho”, completa.

O zelador, Marcelo Ferreira Do Nascimento, 36 anos, teve paciência para negociar e obteve sucesso. Após sua mulher perder o emprego, o cartão de crédito acabou estourando.

“Tentei negociar, mas o banco não queria e contratou uma empresa de cobrança da dívida que já havia saltado para quase R$ 7 mil. Agora, como uma pessoa que ganha R$ 800 pode pagar uma dívida dessa?”, conta ele que só conseguiu novo acordo após reclamar para a coluna Advogado de Defesa , do JT. “Não tendo um órgão que fique a favor do cliente, a negociação fica muito difícil”, completa.

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