Enchente encarece seguro de carro em SP

Os motoristas que precisaram contratar um seguro para automóvel na cidade de São Paulo sentiram no bolso a alta de 32,66% registrada nos últimos 12 meses. Um dos fatores que influenciaram a elevação da inflação do seguro foi o grande volume de chuvas registrado na capital no começo do ano

Marcelo Moreira

06 de setembro de 2010 | 08h00

Gisele Tamamar

Os motoristas que precisaram contratar um seguro para automóvel na cidade de São Paulo sentiram no bolso a alta de 32,66% registrada nos últimos 12 meses. Um dos fatores que influenciaram a elevação da inflação do seguro foi o grande volume de chuvas registrado na capital no começo do ano.

O aumento é maior que a média registrada no País (19,75%) e quase oito vezes superior à inflação geral medida pelo Índice de Preços ao Consumidor (IPC) da Fundação Getúlio Vargas (FGV), de 4,27%. Corretores e especialistas consultados pelo JT em janeiro já previam o impacto do aumento de casos de danos causados pelas enchentes nos preços cobrados pelas seguradoras.

O coordenador do MBA Executivo em Seguros da Trevisan Escola de Negócios, Francisco D’Orto, afirma que a alta do preço do seguro está relacionada principalmente com o aumento de sinistralidade, ou seja, dos casos envolvendo danos ao veículo, como acidentes, roubos, furtos e os causados pelo grande volume de chuvas.

De acordo com o Centro de Gerenciamento de Emergência da Prefeitura (CGE), em todos os meses, entre julho de 2009 a abril de 2010, foram registradas chuvas acima da média. O pico foi contabilizado em janeiro com 461,3 milímetros, recorde histórico.

Na avaliação do professor da Fundação Instituto de Administração (FIA) e especialista em seguros, Armando Char, as chuvas podem ter influenciado a alta dos preços, já que a sinistralidade é um dos elementos que compõem o valor do seguro.

O advogado explica que o dinheiro pago pelos clientes é destinado a compor uma reserva da seguradora, que será utilizada para indenizações futuras. Caso a empresa precise fazer mais pagamentos, certamente aumentará o valor do seguro para equilibrar o caixa.

Além das chuvas, o economista da FGV, André Braz, também aponta outros fatores como responsáveis pelo aumento expressivo do seguro. “Com a economia aquecida e aumento do crédito, mais pessoas estão comprando carros e consequentemente, contratando mais seguros. É a lei da oferta e da procura”, destaca.

Os dados da Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores (Anfavea) confirmam a alta nas vendas no mercado interno. De janeiro a julho, foram vendidos 1,882 milhão de veículos, um aumento de 8,5% ante igual período de 2009.

O economista da FGV pontua que consumidores com seguros antigos e sem ocorrências tiveram uma percepção diferente em relação ao preço do seguro. “Quem tem esse perfil ganha bônus das seguradoras e acaba conseguindo um preço menor na hora da renovação”, exemplifica.

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