Empréstimo no caixa eletrônico é muito mais caro

Marcelo Moreira

01 de dezembro de 2011 | 06h53

Saulo Luz

Empréstimo tomado por meio de ofertas nas telas dos caixas eletrônicos têm juros mais altos em relação aos feitos nas agências (mais caro até que o cheque especial). Em caso de arrependimento, o banco dificulta o cancelamento. Essa é a constatação da Associação Brasileira de Defesa do Consumidor (Pro Teste), que testou o serviço de crédito oferecido em caixas eletrônicos de sete maiores bancos do País – Banco do Brasil, Itaú, Santander, Caixa, HSBC, Bradesco e Citibank.

A Pro Teste simulou empréstimos rápidos de R$ 1 mil, parcelados em 12 vezes. Ao avaliar o Custo Efetivo Total (CET, constatou que o mesmo consumidor pode gastar até 203,30% a mais do que o valor emprestado. O CET mais barato foi o do Banco do Brasil (87,78%), seguido por Itaú (95,50%), Caixa (97,63%), Citibank (141,49%), Bradesco (147,55%) , HSBC (179,20%) e Santander (o mais caro, com (203,30%).

“É um crédito muito caro. No empréstimo pessoal, o CET está sempre abaixo de 100% ao ano e é possível encontrar taxas de 80% ou 70%, o que é mais barato até do que o CET do empréstimo rápido mais barato (87,78%). Até o cheque especial é mais barato, com taxas de 100% a 103% ao ano”, diz Hessia Costilla, economista da Pro Teste.

Além disso, a Pro Teste afirma que em algumas instituições como Citi, Itaú, Bradesco e HSBC, o CET anunciado (que deve englobar, além dos juros, todos outros gastos e impostos, como o IOF) é inferior ao verdadeiro, iludindo o consumidor. Outro problema que a Pro Teste constatou é que o processo de contratação é muito fácil em todos os bancos, mas o cancelamento não.

“Após a confirmação do empréstimo no caixa não há nenhuma possibilidade cancelar pelo mesmo canal. Nem mesmo pela internet ou pelo telefone é possível fazer isso”, diz Hessia, que ressalta que o consumidor acaba tendo que ir pessoalmente à agência. “A maioria dificultou e não aceitou o cancelamento, apenas ofereceram a possibilidade de quitar a dívida com antecedência. Porém, o Código de Defesa do Consumidor dá o direito ao cancelamento em até 7 dias”, completa.

Procurado, o Bradesco não constatou divergência em relação a CET, que é de 147,50%, podendo sofrer pequena alteração em razão da data da simulação. O Santander informa que a sua taxa média para o crédito pessoal, independente do canal de contratação é de 3,64% ao mês, de acordo com a apuração semanal do Banco Central.

 

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