Empréstimo caro para rolar dívidas

Marcelo Moreira

20 de agosto de 2011 | 07h13

do Jornal da Tarde

Depois da farra de compras que levou o brasileiro a atingir elevados níveis de endividamento, o consumidor agora está recorrendo a linhas de crédito mais caras, porém automáticas, como cheque especial e cartão de crédito, para cobrir outras dívidas.

Entre dezembro de 2010 e maio deste ano, o último dado disponível, as duas únicas linhas de crédito com recursos livres destinados a pessoa física que registraram crescimento na média diária de novas concessões foram o cheque especial e o cartão de crédito, revela um estudo feito pela LCA Consultores.

A análise considera as informações do Banco Central, desconta as influências típicas de cada mês e a inflação do período.
De dezembro de 2010 a maio deste ano, a média diária dos empréstimos no cheque especial aumentou 3,9% e no cartão de crédito, 4%. Em contrapartida, a aprovação de financiamentos para compra de veículos caiu 2,3% em igual período e o crédito pessoal teve retração de 9,4%.

“O aumento do uso do cheque especial e do crédito rotativo são, num primeiro momento, são alternativas usadas para o consumidor não se tornar inadimplente”, afirma o economista-chefe da LC A Consultores, Bráulio Borges.

“Perdi o controle do orçamento”, reconhece o professor de matemática, Benedito Calixto, de 59 anos, atualmente funcionário municipal. Com renda mensal de R$ 2.500, ele trocou de carro no ano passado, assumiu uma prestação de R$ 630 e se enganou nos cálculos das despesas rotineiras, que incluíam, por exemplo, uma aluguel de R$ 450.

A alternativa encontrada por Calixto para contornar o problema foi buscar dinheiro no cheque especial e entrar no crédito rotativo do cartão de crédito. Resultado: ele acumula uma dívida de R$ 2.500 com cheque especial e cartão de crédito equivalente a sua renda mensal. “Agora estou tentando renegociar.”

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