Eletropaulo faz mutirão para se desculpar por falta de luz

Marcelo Moreira

20 de junho de 2011 | 07h15

Marcelo Rehder e Karla Mendes

Moradores e empresários do comércio e indústria de Embu das Artes, polo moveleiro da Região Metropolitana de São Paulo, receberam ontem uma visita e um pedido de desculpas inusitados. Funcionários da AES Eletropaulo fizeram mutirão de porta a porta na cidade para apresentar desculpas da distribuidora e orientar clientes sobre pedidos de indenização por danos em equipamentos elétricos relacionados às interrupções no fornecimento de energia no dia 7 deste mês.

A iniciativa começou ontem pelas localidades mais afetadas pelo ciclone extratropical que atingiu a área de concessão da distribuidora e vai se estender para outras cidades inclusive a capital, porém a data para chegar à cidade de São Paulo ainda não foi divulgada.

A ação da empresa será encerrada em 1º julho e até funcionários da Ouvidoria foram recrutados para participar. Como os maiores problemas ocorreram na periferia da cidade, a distribuidora optou por colocar as equipes de casa em casa para agilizar o processo de indenização.

Ainda traumatizada pelos problemas com a falta de luz, que em alguns bairros chegou a durar cinco dias, a maioria dos clientes recebeu bem as equipes em Embu, mas não poupou críticas à empresa. “Acho que eles estão com medo e querem angariar a simpatia dos moradores para minimizar os problemas da empresa”, disse Sônia Gomes Santos Nolasco, proprietária da loja Sol e Lu Costuras, no centro da cidade.

A equipe de costureiras da loja ficou praticamente parada, sem poder trabalhar, das 14h30 da terça-feira até o meio-dia da sexta.

“Aceito as desculpas, se elas vierem acompanhadas do reembolso dos prejuízos que sofri por causa da falta de investimento na manutenção da rede da Eletropaulo”, disse Raul Victor do Valle Moreira, consultor em marketing e licenciamento ambiental. Os problemas no fornecimento de energia levaram à perda total de um dos quatro computadores do escritório que Moreira mantém em sua casa, na Estrada do Kaiko.

Na loja de móveis Cheia de Graça, não foi diferente. O apagão durou três dias e deixou um aparelho de antena parabólica estragado e uma boa quantidade de alimentos perdida. “Foi um desastre”, afirmou a gerente Camila de Oliveira, que também mora nos fundos da loja.

Para o prefeito de Embu das Artes, o petista Chico Brito, o serviço da Eletropaulo é “muito ruim”. “Só depois que deu esse rebu, a Eletropaulo colocou sua equipe de manutenção na rua. Por que não fez manutenção preventiva?”
Atendimento

A rede de lojas e postos de atendimento da companhia também dispõe desses formulários. Algumas unidades, localizadas em pontos estratégicos, estarão abertas durante os fins de semana para receber os pedidos. As solicitações ainda podem ser realizadas pelo endereço da concessionária na internet (www.aeseletropaulo.com.br).

Os pedidos devem ser feitos em até 90 dias corridos, prazo que passa a ser considerado logo após o aparelho ter sofrido o dano elétrico.

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