Dormindo sobre o inimigo – o colchão como vilão da saúde

Marcelo Moreira

28 de julho de 2009 | 22h57

SAULO LUZ – JORNAL DA TARDE

O Instituto Nacional de Metrologia, Normalização e Qualidade Industrial (Inmetro) alerta: você pode estar dormindo sobre um inimigo e, por consequência, sofrer lesões causadas pela má qualidade e da densidade inadequada do colchão.

Pensando nisso, o instituto está desenvolvendo um Programa de certificação compulsória para estabelecer critérios mínimos de segurança para fabricação do produto.

O colchão de espuma tem sido alvo de inúmeras reclamações na ouvidoria do Inmetro. Por essa razão, foi objeto de análise do Programa de Análise de Produtos do órgão em 2006 e 2008. Nas duas análises foram testados os colchões D33, para solteiro.

Em 2006, 47% foram reprovados e, em 2008, o índice de reprovação subiu para 66%. “São dois problemas básicos: espuma de má qualidade e sem a densidade adequada – que deve ser de 35kg por metro cúbico.

Isso faz com que o colchão se deforme permanentemente com facilidade, o que pode provocar lesões”, explica Alfredo Lobo, diretor de qualidade do Inmetro.

Além de causar problemas à saúde, um colchão ruim dá prejuízo ao consumidor, já que tem durabilidade e usabilidade inferior à expectativa do cliente e à promessa do vendedor.

Até o final deste ano, a entidade determinará quais os requisitos que o produto deverá atender (mecânica da espuma, capacidade de deformação em situações críticas, densidade, qualidade da matéria prima utilizada na espuma, a resistência do tecido do colchão entre outros itens.

Depois disso, cerca de 400 fabricantes terão 18 meses para adequar a produção ao regulamento técnico e, depois disso, só poderão ser comercializados colchões e colchonetes de espuma que portarem o selo do Inmetro.

“O comércio terá um prazo de três anos para se adequar. Mas, já no ano que vem, o consumidor já poderá encontrar nas lojas colchões com o selo obrigatório de garantia do Inmetro. A partir dessa data, o cidadão já poderá dar preferência a esses produtos”, finaliza Lobo.

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.