Dobra o número de queixas contra os planos de saúde

Marcelo Moreira

28 de novembro de 2011 | 07h33

Saulo Luz

A velocidade do registro de queixas contra os planos de saúde é muito maior do que o ritmo de crescimento do número de clientes das operadoras. Enquanto a base de beneficiários da saúde suplementar cresceu 7,21% de junho de 2010 para junho de 2011 (de cerca de 43,4 milhões de clientes para 46,6 milhões), o número de reclamações contra convênios no mesmo período mais do que dobrou: 108%, segundo a Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS).

No primeiro semestre de 2010, o órgão registrou 6.388 queixas. Já no primeiro semestre de 2011, o número saltou para 13.292. “Cerca de 60% desses conflitos são causados por negativa de cobertura de procedimento”, diz Dalton Callado, diretor adjunto de Fiscalização da ANS.

Foi o que aconteceu com a aposentada Maria Izolete da Rocha, 53 anos, que tem um plano da Unimed Paulistana administrado pela Qualicorp. “Nos três anos, nunca havia utilizado nenhum serviço do plano.

Entretanto, em outubro, precisei agendar uma consulta e me disseram que o plano estava cancelado”, conta. Além disso, no dia 1º de novembro ela passou mal e o filho, o autônomo Marcello Rocha, de 32 anos, tentou levá-la ao hospital credenciado. “Fomos lá e o atendimento foi negado novamente. Sempre paguei prestações para a administradora Qualicorp. Sempre pagamos em dia e, quando mais precisou, foi impedida de usar o serviço.”
De acordo com Fabrício Angerami Poli, advogado do escritório Marques e Bergstein Advogados Associados (especializado em direito da saúde), as reclamações crescem porque as operadoras, por costume, negam os procedimentos. “Os planos tendem a negar até procedimentos que sabem que são obrigados a cobrir. Só uma pequena parcela dos pacientes prejudicados acaba reclamando na ANS ou acionando a Justiça. Muitos temem retaliações em coberturas futuras. Por enquanto, agir assim é lucrativo e econômico para elas.”

Já para a agência o aumento é explicado pelo crescimento do setor – mais clientes que não podiam pagar por um plano de saúde agora podem, mesmo que seja um plano sem tanta qualidade. “Cerca de 96% dos consumidores estão em planos de saúdes que interagem com nossa ferramenta de solução rápida. Quando o consumidor reclama, a operadora tem um prazo de cinco dias para responder. Resolvemos 68% dos casos”, diz Callado, da ANS.

Mesmo assim, muitos consumidores só conseguem resolver seus problemas após acionarem a operadora na Justiça. “O alto índice de judicialização contra planos de saúde sempre existiu. Nosso trabalho tem colaborado para que muitos consumidores não precisem chegar a esse ponto”, afirma Callado.

Além do disque ANS (0800 701 9656), o consumidor pode denunciar as operadoras à central de atendimento (formulário eletrônico no site www.ans.gov.br) ou até ir pessoalmente em um dos 12 núcleos de atendimento da agência (em São Paulo o posto fica na Rua Bela Cintra, 986, 5º andar).

A Unimed negou responsabilidade sobre os problemas relativos à cliente Maria Izolete e orientou-a procurar a administradora do benefício (Qualicorp). A Qualicorp informa que “detectou um problema pontual na troca de informações com a operadora e que o plano de saúde da cliente está regularizado”.

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