Dívidas: 12 mil 'limpam' o nome por dia

Balanço divulgado ontem pela Associação Comercial de São Paulo (ACSP), 2,1 milhões zeraram o valor devido e limparam o nome no 1º semestre deste ano. São cerca de 12 mil pessoas por dia e uma alta de 6,1% ante o mesmo período de 2009

Marcelo Moreira

02 Julho 2010 | 13h00

Marília Almeida

Mais emprego, maiores salários, juros mais baixos e crédito abundante: o cenário é propício para renegociar dívidas, e é o que os paulistanos com o nome sujo têm feito.

Segundo balanço divulgado ontem pela Associação Comercial de São Paulo (ACSP), 2,1 milhões zeraram o valor devido e limparam o nome no 1º semestre deste ano. São cerca de 12 mil pessoas por dia e uma alta de 6,1% ante o mesmo período de 2009.

Novos consumidores com nome sujo também estão em queda. No mesmo período foram registrados 2,5% registros a menos do que nos seis primeiros meses do ano passado.

O principal fator da inadimplência é o desemprego. Com a melhora da economia e o saldo positivo de vagas na cidade, é natural que o número de inadimplentes caia.

No entanto, há também a tendência de aumento das dívidas devido ao descontrole de gastos, já que classes com renda menor estão tendo mais acesso ao crédito. Enquanto a inadimplência média destes novos consumidores é de 8,4%, a de consumidores antigos, que usam crédito há mais tempo, é de 6,7%, informa a ACSP.

“Para estes novos consumidores, é uma questão de consciência de gastos. Eles não possuem o hábito de administrar o crédito e têm necessidades de consumo reprimidas. Quando encontram crédito fácil, gastam mais. Como não têm o hábito nem conseguem poupar muito, é mais fácil se descontrolarem”, diz Marcel Solimeo, economista chefe da ACSP.

Tal fenômeno se reflete no valor da dívida de quem tem nome sujo, que tem sido maior: enquanto em junho o valor médio devido na cidade foi de R$ 2,1 mil, no mesmo mês do ano passado esse valor atingia R$ 1,8 mil.

“Estes consumidores conseguem comprar bens mais caros agora, como carros, e têm facilidade de se endividarem em mais de um estabelecimento, o que aumenta o valor da dívida”, diz.

Para Luiz Jurandir Simões, consultor da Fundação Instituto de Pesquisas Contábeis, Atuariais e Financeiras, limpar o nome deve ser prioridade em uma economia aquecida, já que o nome sujo pode significar perda de oportunidades, como abrir um novo negócio ou financiar a casa própria.