Dívida no cartão de crédito é recorde

Marcelo Moreira

21 de setembro de 2009 | 23h31

FERNANDO NAKAGAWA – O ESTADO DE S. PAULO

Os brasileiros nunca deveram tanto no cartão de crédito. Dados do Banco Central (BC) mostram que o uso de crédito rotativo, parcelamento com juros e saque somaram R$ 14,56 bilhões em julho, recorde histórico.

Apesar de o juro do dinheiro de plástico atualmente em 237,9% ao ano ser mais alto até que o do cheque especial, a participação dessa modalidade nos empréstimos só cresce. Hoje, a cada R$ 4 tomados emprestados pelas pessoas físicas, R$ 1 é no cartão.

Especialistas afirmam que o aumento do consumo e o já elevado nível de endividamento nos financiamentos mais baratos explicam a busca pelo caro empréstimo do cartão. Entre os principais empréstimos oferecidos às pessoas físicas, a linha mais cara é a que ganhou mais clientes em julho.

Enquanto o volume de novas operações no crédito pessoal cedeu 0,16% e no cheque especial caiu 1,02%, as novas concessões nos cartões saltaram 15,4% na comparação com junho.

Com esse ritmo acelerado de uso do crédito rotativo e parcelamento com juros, os consumidores brasileiros chegaram ao dia 31 de julho devendo R$ 26,49 bilhões às administradoras de cartão. Essa dívida é 580% maior que o total de financiamentos para a compra da casa própria e 54% maior que o uso do cheque especial.

Os dados mostram que as pessoas estão um pouco mais audaciosas nos seus padrões de consumo e, com a melhora do mercado de trabalho e renda, passam a ter confiança para tomar novos empréstimos, diz o professor de finanças do Insper e sócio da Integral Trust, Carlos Fagundes.

Reforçam essa avaliação a recente evolução positiva do mercado de trabalho e vendas no varejo. As famílias estão mais propensas a comprar. O nível de confiança do consumidor já voltou ao patamar pré-crise. E, no varejo, o cartão de crédito é muito usado, completa a analista da Tendências Consultoria, Mariana Oliveira.

Apesar de esse aumento da demanda pelo crédito para consumo ser avaliado como um aspecto positivo por mostrar reação da atividade econômica, analistas lembram que a opção pelo cartão de crédito em detrimento de outras alternativas mais baratas, como o crédito pessoal ou consignado, pode ser preocupante.


Na crise, houve aperto da oferta de crédito para as pessoas físicas. Podemos estar diante de um problema de fechamento de conta, e os consumidores, que não têm dinheiro para pagar as contas do mês, são obrigados a usar o dinheiro mais caro, diz Carlos Fagundes.

Nesses casos, alguns optam, por exemplo, por pagar apenas o valor mínimo do extrato do cartão de crédito.

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