Discriminação afeta 56% dos clientes no comércio

Pesquisa divulgada pelo Procon-SP revelou que 56% dos entrevistados já presenciaram ou foram vítimas de discriminação por causa de cor ou raça em estabelecimentos comerciais no Estado de São Paulo

Marcelo Moreira

14 de novembro de 2010 | 09h27

Marcos Burghi e Ligia Tuon

Pesquisa divulgada pelo Procon-SP revelou que 56% dos entrevistados já presenciaram ou foram vítimas de discriminação por causa de cor ou raça em estabelecimentos comerciais no Estado de São Paulo. Isto significa dizer que dos cerca de 2,6 mil consumidores que responderam ao questionário no site da instituição quase 1,5 mil viram ou vivenciaram o problema.

Segundo o levantamento, realizado entre 9 e 24 de agosto, a maioria dos consumidores apontou lojas de roupas, sapatos, perfumaria e acessórios como cenários das ações preconceituosas.

A discriminação ocorria na forma de atendimento com descaso ou de forma agressiva, a falta de atenção e até a negativa na venda de determinado produto, com a alegação que o consumidor não teria condições financeiras de comprá-lo.

Cristina Martinussi, técnica do Procon-SP, afirma que consumidores que se sentirem discriminados por funcionários de estabelecimentos comerciais devem dirigir a reclamação na hora à gerência ou direção da empresa e também podem registrar queixas nas delegacias de polícia.

 Luís Augusto Ildefonso da Silva, diretor de Relações Institucionais da Associação Brasileira de Lojistas de Shopping (Alshop), afirma profissionais que dispensam este tipo de atitude aos clientes prejudicam o estabelecimento no qual trabalham e a própria carreira profissional.

Ele mesmo conta que, certa vez, estava em uma loja na qual chegou uma mulher com um jeans manchado e rasgado. “Não havia outra cliente no local, mas nenhuma das três vendedoras se dispôs a atendê-la.

Quando uma delas resolveu abordar a mulher, realizou uma venda de valor alto. Este caso prova que a distinção pela roupa ou qualquer outro item é um equívoco”, observa o executivo da Alshop. Ele afirma que a entidade reuniu-se com o Procon-SP há cerca de quatro meses para discutir problemas das relações de consumo, entre os quais a discriminação.

A professora Maria Lucia da Silva, que é negra, afirma que recentemente tentou renegociar uma dívida para tirar o nome do serviço de proteção ao crédito. “Estava concorrendo a uma bolsa de estudos e precisava estar com o nome em dia.”

Maria Lucia conta que tudo começou há um ano, quando sugeriu pagar o valor total, de R$ 36 mil, em 60 prestações de R$ 600. “Eu estava desempregada e o representante do banco afirmou que não haveria acordo porque, sem trabalho, não teria como pagar. Tentei outras vezes e tenho certeza de que um dos motivos da recusa foi o fato de eu ser negra”, afirma.Devido ao ritmo arrastado das negociações, perdeu o prazo da bolsa.

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