Diferença nos pacotes chega a 80%

Marcelo Moreira

01 de setembro de 2008 | 21h25

CAROLINA DALL’OLIO – JORNAL DA TARDE

O preço do pacote padronizado de serviços oferecidos pelos bancos pode variar até 80%. Caixa Econômica Federal e Itaú são os que cobram o menor valor: R$ 15. Na outra ponta do ranking, com as tarifas mais caras, está o Banco Real, que cobra R$ 27 pelo pacote.

Em dezembro do ano passado, o Banco Central (BC) estabeleceu que as instituições financeiras deveriam usar a mesma nomenclatura para os serviços e formar assim um pacote padrão de tarifas no mercado, para que o consumidor pudesse comparar preços. Essa cesta de produtos – que inclui uma quantidade determinada de saques, extratos e transferências – pode ser contratada pelo correntista que exceder a cota de serviços gratuitos.

“A atitude do BC foi importante para que o cliente pudesse ter algum parâmetro na hora de comparar a política tarifária de cada banco”, avalia Ademir Vian, assessor técnico da Federação Brasileira de Bancos (Febraban).

Entretanto, as tarifas divulgadas nesse pacote padronizado tendem a ser maiores que as cobradas em pacotes customizados dos bancos – o que só confunde mais a cabeça do consumidor.

O JT contatou todos os bancos listados na reportagem. Os quatro que responderam (Caixa Econômica Federal, HSBC, Nossa Caixa e Real) afirmaram que os demais planos oferecidos por eles tendem a ser mais vantajosos que os planos padronizados, “por atenderem a necessidades específicas de cada cliente”.

Para Carlos Thadeu de Oliveira, supervisor de informação do Instituto de Defesa do Consumidor (Idec), isso é proposital. “Como o BC determinou que o pacote padronizado não pode custar mais que a soma das tarifas individuais, a saída encontrada pelos bancos foi criar pacotes padronizados mais caros para poder oferecer os outros pacotes customizados como opções mais baratas e lucrar naquelas tarifas em que os clientes especificamente mais demandam”, afirma.

Mas por que a divulgação dos preços não acirrou a concorrência? “Mudar de banco é uma operação complicada e burocrática.

Além disso, as tarifas baixas não são o único atrativo para o cliente”, afirma Miguel de Oliveira, vice-presidente da Associação Nacional dos Executivos de Finanças, Administração e Contabilidade (Anefac)e pesquisador das tarifas bancárias. Para ele, o consumidor só poderá ter voz ativa frente aos bancos quando se munir de mais informações. “Com isso, ganhará poder de barganha.”

ESCOLHA DIREITO O SEU PACOTE

  • Para escolher o banco que melhor atende às suas necessidades, o consumidor não deve considerar apenas as tarifas

  • É preciso analisar seu perfil como correntista, verificando se a utilização de serviços bancários é mesmo sua principal característica como cliente

  • ]Caso você tenha mais interesse em aplicações ou em tomada de crédito, por exemplo, isso deverá pautar sua escolha

  • Barganhe vantagens com o gerente do banco

  • Analise os outros pacotes de tarifas, não apenas o padronizado. Os pacotes de serviços online tendem a ser mais baratos

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