'Devolver o carro foi a pior coisa que já me aconteceu'

Marcelo Moreira

15 de julho de 2009 | 19h51

MARCOS BURGHI – JORNAL DA TARDE

Pedro, nome fictício, afirma que o dia em que apreenderam seu carro está entre os mais difíceis dos quais tem lembrança.Ele conta que comprou um automóvel em novembro de 2006 financiado em 48 meses. Tudo correu bem, diz, até abril de 2007 quando problemas financeiros levaram à interrupção dos pagamentos.

Após o terceiro mês de atraso,ele recebeu a visita de um representante da financeira acompanhado de um oficial de Justiça para a retomada do veículo. “Eles chegaram por volta de 21 horas e meus filhos ficaram com medo, achando que me levariam preso”, afirma. Pedro garante que tentou negociar, “mas a financeira não queria conversa”, diz.

A retomada de um carro por inadimplência depende de uma ação de busca e apreensão concedida pela Justiça. Joung Won Kim, advogada especializada em direito do consumidor, diz que a prática do mercado é aguardar 90 dias até buscar uma solução judicial.

A advogada acrescenta que o maior problema está no fato de que a Justiça exige que o devedor deposite o valor total do financiamento para que o bem não seja retomado. De acordo com a advogada, o Tribunal de Justiça de São Paulo proferiu algumas decisões na qual determina que o depósito corresponda apenas ao valor em atraso.

Paulo Garbossa, professor do Centro de Estudos Automotivos (CEA) da FEI, afirma que para evitar dissabores, os consumidores não devem deixar que o atraso das prestações ultrapasse 60 dias. “Neste prazo, procure o banco para negociar”, recomenda.

Ele ressalta que as instituições são receptivas a negociações porque querem receber. “Um carro perde seu valor muito rapidamente, portanto é mais vantajoso reaver o dinheiro emprestado”, diz.

Garbossa observa, porém, que uma vez renegociada a dívida o plano de pagamento deve ser seguido à risca. “Se o consumidor não honrar o combinado terá ainda mais problemas”, lembra.

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