Desrespeito em Interlagos

Marcelo Moreira

17 de março de 2009 | 23h19

O relato abaixo é de um fã do Iron Maiden que esteve no show do último domingo, no autódromo de Interlagos e que trabalha no Grupo Estado:

LUIZ AUGUSTO MONACO – JORNAL DA TARDE

Quando foi anunciado que o show do Iron Maiden seria em Interlagos, eu (que nunca tinha ido a um show no autódromo) imaginei que, devido à vastidão da área, o acesso e o escoamento do público seriam tranquilos.

Mas quem esteve lá domingo, chafurdando na lama enquanto Bruce Dickinson disparava os petardos da banda, foi testemunha do descaso e do desrespeito com que fãs de música são tratados em eventos de grande porte.

Logo na chegada, deu para perceber que a organização não seria das melhores. Às 18h45 (o show estava marcado para as 20h), gente que estava em pé na fila de entrada desde às 15h ainda tinha uns 300 metros a percorrer em passo de tartaruga para chegar ao portão.

Isso mesmo, “a fila” e “o portão”, no singular. Fila única para colocar mais de 60 mil pessoas para dentro do autódromo, um lugar com tantos portões, não foi uma ideia das melhores. Não é de se estranhar que tanta gente tenha decidido furar a fila para entrar logo…

Mas se a entrada tinha sido um martírio, a saída foi muito pior. E já era de se esperar, porque o público saía todo ao mesmo tempo pelo espaço por onde havia entrado ao longo de cinco ou seis horas. Corredores estreitos e sinuosos dificultavam a locomoção da multidão.

As pessoas andavam espremidas umas contra as outras. Teve gente que passou mal e vomitou, gente que levou cotovelada, gente (como eu e dois dos seis amigos que foram comigo) que teve o celular surrupiado por mãos leves, e princípios de empurra-empurra que poderiam ter acabado com gente pisoteada.

E o que dizer de fazer milhares de pessoas atravessarem o túnel que passa sob a reta dos boxes e que nos dias de corrida serve de passagem para os carros de imprensa? Um lugar fechado por paredes nos dois lados e no teto seria um convite à tragédia se estourasse um corre-corre.

Mas zelar pelo conforto e segurança do público parece não fazer parte das preocupações de quem organizou (?) o que se viu em Interlagos.

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