Descontrole castiga a classe C

Atraídos por promoções e facilidade de pagamentos, os consumidores da classe C com o nome sujo apontaram o descontrole de gastos pessoais como a principal causa de sua inadimplência

Marcelo Moreira

21 de novembro de 2010 | 08h07

Gisele Tamamar

Atraídos por promoções e facilidade de pagamentos, os consumidores da classe C com o nome sujo apontaram o descontrole de gastos pessoais como a principal causa de sua inadimplência. É o que mostra pesquisa inédita sobre o perfil do inadimplente com pessoas com renda salarial de quatro a cinco salários mínimos (R$ 2.040 a R$ 2.550) feita pela primeira vez pela Associação Comercial de São Paulo (ACSP).

Entre os emergentes da nova classe média, a falta de controle das despesas foi é a maior causa da negativação do nome, com 25% das respostas.

Na pesquisa geral, com consumidores inadimplentes de todas as classes sociais, o principal motivo de inadimplência é o desemprego, com 48,5%. O descontrole dos gastos é o terceiro principal motivo e atinge 10,6% dos entrevistados.

Para a classe C, o desemprego aparece com 20%, o mesmo porcentual da justificativa “ter sido fiador”. Isso porque, segundo o economista da ACSP, Emilio Alfieri, essa fração classe média, a emergente, está otimista com a manutenção do emprego – vê perspectivas de mantê-lo por um bom tempo – e, consequentemente, está mais confiante em comprar, assumindo cada vez mais dívidas. “Essa pesquisa é uma forma de alertar o consumidor para controlar seus gastos.”

O alerta vem na época que o consumidor mais gasta, o fim do ano. Por isso, a coordenadora do curso de ciências econômicas do Complexo Educacional FMU, Lucília Gonçalves, aconselha o inadimplente a usar o 13º salário para regularizar sua situação. “Os juros são muito altos, principalmente do cheque especial e do cartão de crédito. Quanto mais tempo a dívida existe, maior ela fica.”

De acordo com a coordenadora, a classe média emergente não tinha uma renda suficiente para consumo. Situação que mudou com o aumento do emprego, renda e crédito. “É uma classe que não estava acostumada a ter uma renda que proporcionasse um consumo extra e que satisfez essa demanda reprimida de uma só vez”, alega.

Na avaliação de Alfieri, a situação da faixa salarial de quatro a cinco salários mínimos não reflete em aumento da taxa da inadimplência. O indicador segue com “índices controlados”.

No ano, de janeiro a outubro, a taxa média é de 5,7%. Índice bem diferente de 1998, quando a média foi de 11,8%. “Quando a taxa atinge os dois dígitos é um sinal vermelho. Hoje temos taxas controladas”, diz Alfieri. No ano passado, a taxa média foi de 6,9%.

A dica dos especialistas para quem está com o nome sujo é fazer uma planilha com os gastos para saber onde o dinheiro está sendo usado e se planejar.

“É preciso ter cautela, principalmente no fim do ano com os gastos do Natal. No começo do ano, por exemplo, temos o IPVA, IPTU e gastos escolares, como matrícula e material”, lembra Alfieri.

A ACSP também analisou os produtos que mais causaram a inadimplência por idade. Entre os jovens com até 20 anos, os maiores responsáveis foram: roupa e calçados (33,3%), seguidos de celular (14,3%) e eletrodomésticos (9,5%).

Na faixa etária acima de 60 anos, a situação se inverte e os eletrodomésticos ocupam o primeiro lugar com 20%, seguidos de material de construção (10%) e roupas e calçados (10%).

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