Deficientes auditivos: mudança sobrecarrega o SUS

Com as limitações de idade impostas pela Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS) para realização do implante coclear em deficientes auditivos, especialistas já falam em superlotação no SUS no médio prazo

Marcelo Moreira

27 de junho de 2010 | 17h00

Lígia Tuon

Com as limitações de idade impostas pela ANS para realização do implante coclear em deficientes auditivos, especialistas já falam em superlotação no SUS.

“Hoje em dia uma pessoa pode ficar mais de um ano esperando pelo procedimento. E esse número pode aumentar ainda mais”, afirma Cristina Onuki, fonoaudióloga especialista em reabilitação auditiva do programa de implante colear da Unicamp e mãe de Henrique Onuki, que fez o implante coclear no sistema público.

Onuki nasceu surdo e tinha 18 anos quando fez a cirurgia, seis anos atrás. “Mesmo tendo sido um dos primeiros a participar do programa de implante coclear do Hospital das Clínicas, ainda fiquei esperando 6 meses pela aprovação”, diz.

Apesar do desgaste, ele acha que valeu a pena. “Me senti mais seguro para falar com pessoas. Comecei a fazer mais amigos, namorar e até fazer faculdade”, conta.

Quem não quiser ir para a fila do SUS, o caminho é entrar na Justiça, exigindo que o plano de saúde pague o procedimento. “Independentemente das limitações trazidas pelo novo rol, se houver determinação médica e embasamento cientifico, o plano deve cobrir”, explica o advogado especializado da área de saúde Julius Conforti.
Quem não puder contratar um advogado, deve recorrer a defensoria pública.

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