Cuidado: seu filho corre riscos com o brinquedo comprado há algum tempo

Marcelo Moreira

04 de outubro de 2011 | 07h14

Saulo Luz

Existe uma boa chance de seu filho pequeno se ferir com um brinquedo comprado ou ganho há algum tempo. Com a proximidade do Dia da Criança, a preocupação precisa ser redobrada. Levantamento da Fundação Procon de São Paulo (Procon-SP) mostra que apenas cerca de 90 mil dos mais de 1,2 milhão de brinquedos convocados para recall desde 2002 são enviados ao fabricante para que os problemas sejam corrigidos.

São 1.129.462 brinquedos (92,61% do total) que oferecem risco à segurança dos pequenos. “A baixa adesão aos recalls preocupa porque envolve a saúde da criança. O problema do recall dos brinquedos é que, às vezes, os pais se recusam a trocar porque o valor do produto é baixo e a empresa exige muita burocracia (como envio por correio) para fazer o atendimento”, diz Cleni Dombroski Leal, do Procon-SP.

Para se ter uma ideia do risco para as crianças, os produtos infantis, que incluem os brinquedos, são a maior causa de acidentes de consumo no Brasil – são13,2% do total, segundo dados do Sistema de Monitoramento de Acidentes de Consumo do Instituto Nacional de Metrologia, Qualidade e Tecnologia (Inmetro).

O item mais convocado foi a boneca Polly (com seus acessórios), da Mattel, que sofreu dois recalls. A primeira chamada do brinquedo, em novembro de 2006, recolheu apenas 7.946 dos 98.588 produtos convocados. Já o segundo recall, em agosto de 2007, convocou 653.952 itens, mas somente 52.739 peças foram reparadas.

Segundo a Mattel do Brasil, a baixa adesão às convocações para recall não significa que as crianças correm riscos. “Sempre comunicamos as autoridades, recolhemos os itens das lojas e avisamos o público por anúncios em jornais, rádios e televisão”, diz Ricardo Roschel, diretor de operações da empresa.

A preocupação com os brinquedos “oficiais” é grande, mas o maior problema enfrentado pelas autoridades são os “piratas”, que não têm selo de certificação ou qualquer controle. Há ainda produtos originais que têm defeitos de fabricação que não são percebidos ou registrados nas linhas de montagem, pela pequena quantidade de falhas em relação ao total da produção.

É o caso do triciclo adquirido pela advogada Flávia Cristiane Martins de Souza, de 32 anos, para sua filha. “Na volta do primeiro passeio, a roda traseira soltou, sem explicação. Minha filha não se machucou, mas poderia ter sido pior. Ela se assustou e chorou muito.”

E quando o brinquedo não é adequado à idade da criança, tendo ou não a indicação positiva para aquela faixa etária na embalagem? Isso aconteceu com a supervisora de vendas Lygia Campos, 30 anos, que comprou um helicóptero de brinquedo para o sobrinho no Dia da Criança de 2010.

 “A caixa não informava a faixa etária. Mas, na hora da venda, o promotor da marca me assegurou que o brinquedo era recomendável para crianças entre 5 e 8 anos – meu sobrinho tinha 7”, disse Lygia. Só que o presente se mostrou perigoso. A hélice cortou o dedo do pequeno Icaro Rhuan. “Era complicado brincar até para adultos.”

“Para prevenir acidentes, é importante que os pais fiquem atentos à classificação da faixa etária e às instruções de uso correto do brinquedo”, alerta Leonardo Rocha, gerente substituto da divisão de programas de avaliação da conformidade do Inmetro. Além disso, é recomendável que os pais acompanhem como os filhos interagem com o brinquedo.

Atento à segurança dos presentes que compra para as duas filhas, o analista de compras Marcelo Gonçalves Venda, 41 anos, sempre participou de recalls de brinquedos (inclusive cinco itens da linha Polly). “Jogo fora itens que percebo serem perigosos e, ao comprar, procuro na embalagem o selo do Inmetro.”

 

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