Crescem as queixas contra os bancos

Marcelo Moreira

18 de abril de 2011 | 17h23

Carolina Marcelino

O número de queixas contra serviços bancários no Brasil cresceu em um ano. As reclamações procedentes contra os bancos tiveram aumento de 35% em fevereiro de 2011, na comparação com o mesmo período de 2010. No último balanço divulgado pelo Banco Central, foram registradas 841 reclamações em fevereiro deste ano, contra 554 no mesmo período do ano passado.

Para o presidente da Associação Brasileira do Consumidor (ABC), Marcelo Segredo, isso reforça o desrespeito das empresas com as normas estabelecidas no Código de Defesa do Consumidor. “As instituições financeiras não estão atendendo as necessidades básicas dos correntistas. E quando são questionadas por eles, elas se mostram inflexíveis para negociar.”

O débito não autorizado pelo cliente em conta corrente lidera a lista há mais de um ano. O banco Itaú, que ocupava o segundo lugar com 78 reclamações, agora lidera a lista com 249, seguido por Banco do Brasil, Bradesco, Santander e por último o Banrisul.

O empresário Wagner José Souza Pinho, de 43 anos, fez uma conta conjunta com a esposa no Banco do Brasil, que não enviou o cartão, mas encaminhou as faturas, mesmo sem os usuários terem gastado com alguma coisa. Em resposta ao Jornal da Tarde, o banco informou que estornou o valor. O consumidor confirmou o estorno e o recebimento dos cartões.

Falta de informações, descumprimento de prazos, operações não reconhecidas e cobranças irregulares também compõem o ranking de 48 tópicos.

A gerente jurídica do Instituto de Defesa do Consumidor (Idec), Maria Elisa Novaes, defende a importância do ranking do BC, mas diz que essa ferramenta é pouco explorada tanto pelo órgão fiscalizador como pelo consumidor. “O Banco Central tem de mudar suas políticas baseada nessa lista. Além disso, o correntista tem de reclamar mais, pois muitos deixam de notificar o BC, pois não conhecem o serviço ou têm preguiça de ir atrás.”

Bancos de justificam

Em resposta ao JT, o Itaú informou que os números foram “atípicos, pois o BC pediu esclarecimentos de algumas reclamações adicionais elevando os números em fevereiro”. O Santander respondeu que a meta é “transformar esses problemas em oportunidades”.

O Banrisul informou que acompanha as demandas registradas junto ao Banco Central para utilizá-las como um retorno dos serviços. O Banco do Brasil respondeu que houve uma redução no índice de suas reclamações. O Bradesco não se pronunciou.

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