Crédito pessoal mais caro em maio

Marcelo Moreira

17 de maio de 2011 | 16h26

Ligia Tuon

Alta da taxa de juros do empréstimo pessoal foi duas vezes maior nos primeiros meses de 2011 do que o aumento registrado em todo o ano passado. De janeiro a dezembro de 2010, o acumulado foi de 0,10 ponto porcentual. Enquanto que neste ano já acumula 0,33 ponto porcentual, segundo pesquisa da Fundação Procon–SP. O índice aplicado ao cheque especial cresceu 0,35 ponto porcentual no mesmo período, ante alta de 0,34 ao longo de 2010.

“Sempre orientamos ao consumidor evitar as linhas de créditos, por conta dos juros altos. Nesse momento pior ainda”, aconselha a assistente de direção do Procon, Cristina Rafael Martinussi. Só neste mês a taxa média oferecida pelos bancos na modalidade de empréstimo pessoal foi de 5,6%, ante os 5,49% do mês anterior.

Já em relação ao cheque especial, o aumento registrado no período foi de 0,12 ponto porcentual, atingindo 9,47% ao mês. “O consumidor deve ficar atento e verificar várias linhas de crédito no mercado que tenham a ver com o seu perfil. No caso do cheque especial, as taxas são sempre as maiores”, explica Cristina.

O encarecimento do crédito está ligado com as medidas adotadas pelo governo federal para reduzir a demanda e diminuir a inflação, que já chegou a 6,51% no acumulado dos últimos 12 meses – ultrapassando o teto da meta oficial para 2011, de 6,50%.

“Uma dessas medidas é o aumento dos juros básicos (Selic). Quando o Banco Central eleva a taxa Selic, todos os demais índices também sobem”, conta o professor do Programa de Capacitação da Empresa em Desenvolvimento (Proced), José Carlos Luxo. A taxa de juros, que em março do ano passado era de 8,75% já atingiu os 12% em abril.

E a tendência ainda é de alta. “Acho que ainda há espaço para aumentar mais a taxa de juros. Desta forma, outras índices também deverão subir”, prevê Luxo. Segundo o professor, o aumento deve parar no segundo semestre de 2012. “Até lá, o consumidor deve postergar compras a prazo e não contrair dívidas. Principalmente para comprar veículos e eletrodomésticos o momento é de esperar”, aconselha.

O encarecimento das taxas, no entanto, não significa uma alta do calote para o professor. “A inadimplência tende a aumentar principalmente quando há sinais de desemprego. Isso ainda não está acontecendo.”

Para evitar dívidas neste momento, a dica do Procon é que o consumidor deve considerar algumas questões antes de entrar no cheque especial ou de pedir um empréstimo para o banco. “Eu preciso mesmo disto? Terei condições de pagar isto posteriormente?”, orienta Cristina, da Fundação.

 “O grande problema é que muitas pessoas usam o cheque especial, por exemplo, como extensão do seu salário. O que pode ser muito prejudicial”, acrescenta.

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