Convênios: empresas admitem preocupação

Marcelo Moreira

19 de junho de 2012 | 16h01

Saulo Luz

“A situação da saúde suplementar no Brasil realmente é preocupante, principalmente para as pequenas e médias operadoras – que são essas avaliadas com risco alto pela Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS)”. A afirmação é de Arlindo de Almeida, presidente da Associação Brasileira de Medicina de Grupo (Abramge).

Segundo ele, as 40 maiores operadoras (que respondem por 50% dos clientes) estão em situação muito boa, mas o restante enfrenta dificuldades. “Isso acontece porque elas não conseguem acompanhar as exigências das resoluções da ANS.

É desproporcional exigir que uma operadora pequena cumpra os mesmos requisitos (rol de procedimentos, rede credenciada, cobertura, etc) de uma gigante do setor. Isso é inviável e um problema sério”, diz Almeida. Segundo ele, as pequenas operadoras não suportam o peso da regulação e vem fechando as portas. “Estamos pedindo para que a ANS flexibilize essas exigências para as pequenas operadoras. Não se pode tratar igualmente os desiguais”, completa.

Polyanna Carlos Silva, supervisora institucional da Associação Brasileira de Defesa do Consumidor (Pro Teste) discorda. “Não é preciso flexibilização. A ANS apenas exige o básico. É o mínimo de qualidade que tem que garantir ao consumidor”, diz.

Enquanto isso, os clientes de pequenas operadoras enfrentam problemas. “Descredenciamento em massa de hospitais e laboratórios, dificuldade para agendar consultas, hospitais próprios lotados: esses são alguns indícios de que a saúde financeira e qualidade do seu plano de saúde não vai bem e pode ter risco alto na classificação da ANS”, diz Joana Indjaian Cruz, advogada do Instituto Brasileiro de Defesa do Consumidor (Idec). “Nesse caso, o cliente tem duas opções. Ou arrisca continuar no plano ou usa a portabilidade para contratar outra operadora”, completa Joana.

Foi o que fez a analista de logística Shirlei Cruz Nascimento Machado, 32 anos. Quando não conseguiu continuar um tratamento por causa de descredenciamento, ela percebeu que era a hora de trocar de convênio.

“Vinha fazendo tratamento renal com um urologista, que para minha surpresa foi descredenciado do convênio sem qualquer explicação. Isso quando eu precisava dar continuidade às consultas com urgência”, conta. O Jornal da Tarde procurou a Blue Cross, para comentar os casos de Shirley e de Maria Madalena de Andrade, mas a operadora não se manifestou.

 

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.