Convênios em crise – 33% dos planos de SP tem problemas

Marcelo Moreira

21 de maio de 2009 | 22h17

Segundo a ANS, são 207 as operadoras de saúde que enfrentam dificuldades
para atender os clientes e, por isso, precisam da intervenção da agência

ELENI TRINDADE – JORNAL DA TARDE

Das 611 operadoras de planos de saúde com sede no Estado, 207 (ou 33% do total) estão com problemas financeiros, segundo dados da Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS).

Essas empresas estão com dificuldade para atender os conveniados e precisam da interferência da agência reguladora.

São 125 em Plano de Recuperação, ou seja, tentando resolver pendências financeiras detectadas pela agência.

Outras 39 receberam indicação para Direção Fiscal, isto é, podem a qualquer momento receber interferência da agência para regularizar problemas financeiros e administrativos.

E 14 delas já estão em Direção Fiscal ou Técnica – já existe um representante da ANS dentro da operadora agindo para tentar resolver questões econômicas.

A ANS não divulga o nome das empresas para evitar que os clientes fiquem alarmados e comecem a migrar para outros convênios, dificultando ainda mais as tentativas de recuperação. O consumidor pode verificar no site ou no Disque ANS se sua operadora está sob intervenção.

“As empresas são obrigadas a apresentar uma série de documentos para demonstrar que estão cumprindo a legislação do setor e que têm condições financeiras de se manter. A ANS analisa essa documentação e, em caso de pendência, envia ofício à operadora que, por sua vez, tem de trabalhar na correção ou detalhamento das informações”, afirmou Luciana Silveira, diretora adjunta de Normas e Habilitação de Operadoras da ANS durante a 4ª Jornada Jurídica de Saúde Suplementar realizada ontem em São Paulo pela Associação Brasileira de Medicina de Grupo (Abramge).

“É um processo cuidadoso e por vezes lento, mas necessário para preservar os beneficiários. Se depois da terceira tentativa, a empresa não consegue se encaixar nas normas, ela pode entrar em processo de direção fiscal, pois significa que após várias tentativas não passaram pelo crivo da ANS.”

De acordo com Arlindo de Almeida, presidente da Abramge, a maioria das empresas que apresentam algum tipo de problema financeiro é de pequeno porte. “São operadoras com até 50 mil beneficiários. A própria ANS afirma que a maioria dos consumidores está em planos de saúde saudáveis.”

De acordo com a ANS, 71% dos beneficiários de planos de saúde no Brasil (37.310.867 pessoas) estão em operadoras com plena autorização de funcionamento e financeiramente saudáveis.

Para Juliana Ferreira, advogada do Instituto Brasileiro de Defesa do Consumidor (Idec), o fato de a ANS não divulgar os nomes das empresas que estão passando por intervenção é falta de transparência.

“O consumidor tem direito de saber tudo sobre sua operadora de saúde e precisa se prevenir para não passar pelo que os clientes da Avimed estão passando”, destaca. “A ANS não pode negar essas informações ao público”, completa.

Quando o plano começa a atender mal, o consumidor já deve ficar atento. Essa é sugestão de Maria Inês Dolci, representante institucional da Associação Brasileira de Defesa do Consumidor (Pro Teste).

“Quando o padrão de atendimento cai e há troca de fornecedores e prestadores de serviços por outros mais baratos, o cliente já nota que a situação não está sob controle e pode tentar fazer a portabilidade ou mesmo pesquisar se existem queixas em órgãos de defesa do consumidor.

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