Convênios: diagnóstico das finanças preocupa

A avaliação realizada pela Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS) com todas as operadoras brasileiras de convênios médicos mostra que um dos principais problemas apresentados diz respeito às finanças das empresas. Até mesmo as grandes apresentam dificuldades

Marcelo Moreira

19 de agosto de 2010 | 08h25

Carolina Dall’Olio

A avaliação realizada pela Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS) com todas as operadoras brasileiras de convênios médicos mostra que um dos principais problemas apresentados diz respeito às finanças das empresas. Até mesmo as grandes apresentam dificuldades. Das 11 mais importantes e conhecidas do mercado, cinco foram mal avaliadas no quesito econômico-financeiro.

O Índice de Desempenho da Saúde Suplementar (IDSS), criado pela agência, utiliza quatro critérios para atribuir uma nota de 0 a 1 às operadoras: atenção à saúde; estrutura e operação; satisfação dos beneficiários; e situação econômico-financeira. Neste último item, a ANS verifica se a empresa tem condições financeiras de prestar atendimento de qualidade a seus clientes e também se não corre o risco de quebrar no futuro.

Para tanto, entre outros fatores, observa se a operadora apresenta as garantias financeiras necessárias para prestar um bom atendimento, se patrimônio da empresa está de acordo com o tamanho de sua base de clientes e verifica se ela tem capital de giro e liquidez nos seus ativos. Isso explica porque notas baixas neste quesito causam apreensão nas entidades de defesa do consumidor.

“Ter um baixo desempenho no quesito econômico-financeiro significa que a operadora pode oferecer riscos ao consumidor”, afirma Juliana Ferreira, advogada do Instituto Brasileiro de Defesa do Consumidor (Idec). “Por isso, o resultado da avaliação divulgada pela ANS é muito preocupante”, diz.

Para Juliana, um dos primeiros indícios de que as finanças da operadora não vão bem é a piora no atendimento. “O consumidor passa a enfrentar muita demora para conseguir marcar uma consulta, começa a receber negativas de cobertura e também nota que bons médicos são descredenciados da rede”, conta a advogada. “Em última instância, todo esse processo pode culminar na quebra da operadora.”

Selma do Amaral, assistente de direção do Procon-SP, também avalia os dados da ANS como “preocupantes” e ressalta a importância dos resultados como fonte de informação aos usuários. Mas cobra da agência uma postura mais ativa.

“O próprio mercado já projeta mais quebras de operadoras nos próximos anos. E até agora, mesmo de posse desses dados, os procedimentos que a ANS vem usando para tentar recuperar as empresas não evitou que muitas delas falissem”, diz. “O problema é que quando a operadora quebra quem fica no prejuízo é o consumidor”

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