Convênios: 28% apresentam algum risco

Marcelo Moreira

19 de junho de 2012 | 08h01

SAULO LUZ

O segmento de saúde privada acendeu a luz amarela de alerta: 28,56% das pouco mais de mil operadoras de saúde que atuam no Brasil correm algum risco de não conseguir atender todos os seus clientes.

Levantamento da Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS) com dados de janeiro até março de 2012 mostra que 9,22% apresentam risco assistencial pré-moderado (sinal amarelo), 9,68% encontram-se na faixa de risco moderado (laranja) e 8,66% encontram-se na faixa de risco alto de ter problemas sérios (sinal vermelho). Por outro lado, 72,44% das operadoras médico-hospitalares ativas apresentam baixo risco assistencial (verde).

No segmento odontológico, 17,75% das operadoras ativas apresentam risco assistencial – 1,17% estão na faixa de risco assistencial pré-moderado (amarelo); 4,44% encontram-se na faixa de risco moderado (laranja) e 12,15% encontram-se na faixa de risco alto (vermelho). “Os clientes dos grandes planos podem ficar tranquilos, mas a situação é preocupante para os convênios menores”, diz Arlindo de Almeida, presidente da Associação Brasileira de Medicina de Grupo (Abramge).

A metodologia, aplicada desde junho de 2011, avalia trimestralmente as operadoras por meio de um conjunto de 21 indicadores sendo que as reclamações registradas na agência e as demandas por negativa de cobertura (NIPs) têm um peso significativo na composição da nota final da operadora. As empresas com risco pré-moderado são acompanhadas de perto pela ANS.

 Já as com risco moderado que se enquadrarem nos critérios estabelecidos são selecionadas para visita técnica assistencial (em uma visita, o técnico da agência acompanha a qualidade do serviço) ou de monitoramento remoto.

As operadoras classificadas com risco alto (sinal vermelho) são analisadas quanto ao seu enquadramento nos critérios de plano de recuperação assistencial ou direção técnica (quando um agente da ANS faz um diagnóstico de dentro da operadora e sugere e acompanha as medidas para sanar os problemas).

Se a operadora não for capaz de sanar as anormalidades, pode ter cancelado o registro e até sofrer liquidação extrajudicial – pois não seria capaz de continuar no mercado.

Segundo a ANS, estar classificada com risco alto ou em direção técnica não quer dizer que a empresa está com problemas financeiros. “Não avaliamos o risco financeiro, de solvência ou liquidez da empresa, mas apenas a qualidade da empresa e o risco de não conseguir atender os usuários. Pode ser problema de rede credenciada, de mecanismos de regulação, dentre outros”, diz Michelle Mell, gerente de monitoramento assistencial da ANS.

Apesar disso, a quantidade de planos em dificuldades financeiras é grande. De acordo com dados da própria ANS, sete operadoras sofreram liquidação extrajudicial – caso da Plasmmet, que atua em São Paulo e no ABC – e 23 tiveram decretada a alienação de carteira só neste ano.

Duas operadoras já sofreram direção técnica e 25 sofreram direção fiscal (diagnóstico para avaliar desequilíbrio econômico-financeiro). Estão em direção técnica a Ômega Saúde (que atua no ABC) e a Blue Cross (empresa que atende clientes de São Paulo e da região de Osasco e adjacências).

Cliente da Blue Cross, a pensionista Maria Madalena de Andrade, de 48 anos, percebeu piora no serviço. “Vários laboratórios, clínicas e consultórios que atendiam o plano saíram e nem nos avisaram.” Ela que reclama que é enorme a burocracia para autorização dos procedimentos. “Para conseguir atendimento, passou a ser necessário ligar, preencher guias, o que demora demais. É uma exigência inclusive para procedimentos simples e de rotina.”

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