Convênio poderá ficar impagável

Caso os reajustes dos planos de saúde continuem muito acima da inflação, daqui a 30 anos os preços praticados pelo mercado se tornarão impagáveis. É isso o que indica estudo feito pelo Instituto Brasileiro de Defesa do Consumidor (Idec) em conjunto com o Procon-SP

Marcelo Moreira

12 de agosto de 2010 | 08h27

Lígia Tuon

Caso os reajustes dos planos de saúde continuem muito acima da inflação, daqui a 30 anos os preços praticados pelo mercado se tornarão impagáveis. É isso o que indica estudo feito pelo Instituto Brasileiro de Defesa do Consumidor (Idec) em conjunto com o Procon-SP. A previsão já foi encaminhada à Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS).

De acordo com os cálculos, se forem mantidas as condições atuais, daqui a 30 anos, os planos de saúde terão subido 126,67% acima da inflação medida pelo Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA).

A análise considerou os reajustes autorizados pela ANS para planos de saúde individuais nos últimos dez anos, período em que estes subiram 31,36% acima da inflação medida pelo IPCA, e a estimativa da taxa de inflação no patamar estabelecido pelo programa de meta de inflação do governo federal (4,5%).

Os dados foram parte das considerações do Idec e do Procon-SP sobre a nova metodologia de reajuste para os planos, atualmente em discussão pela ANS. No documento, as entidades ressaltam que a revisão das regras deve levar em conta a capacidade de pagamento das mensalidades de planos de saúde pelos consumidores no decorrer dos anos.

Caso contrário, o próprio sistema de planos de saúde entrará em colapso, assim como a saúde pública. “Qualquer metodologia de reajuste que se almeje construir tem de ser adequadamente estruturada, a fim de que se deixe de buscar soluções apenas imediatistas para o setor de planos de saúde”, afirma Daniela Trettel, advogada do Idec.

O Idec e o Procon também ressaltaram que é imprescindível que a revisão do método de reajuste envolva os planos coletivos, que hoje representam mais de 70% do mercado.  A Associação Brasileira de Medicina de Grupo (Abramge), que reúne os planos de saúde, não se manifestou ontem a respeito da pesquisa realizada pelo Procon e pelo Idec.

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