Conta de luz até 5% mais barata

Marcelo Moreira

09 de janeiro de 2010 | 00h09

CAROLINA DALL’OLIO E MARCOS BURGHI – JORNAL DA TARDE

Depois de amargar aumentos de 8,63% (em 2008) e 12,96% (em 2009) na conta de luz, em 2010 o bolso do consumidor finalmente terá uma trégua. Neste ano, a tarifa de energia elétrica deve ficar mais barata ou, na pior das hipóteses, o preço permanecerá como está, dizem os especialistas.

“O reajuste da tarifa de energia elétrica para os consumidores pode ser negativo em 2010. A projeção é que fique entre zero e menos 5%, em média, na maioria das distribuidoras que atendem o Sudeste”, estima Jorge Samek, presidente da Usina Itaipu Binacional, geradora de energia para a região.

O diretor do Centro Brasileiro de Infraestrutura, Adriano Pires, faz coro ao colega, porém de forma menos precisa. Ele afirma que o reajuste pode ficar “próximo de zero ou negativo” nas contas de energia elétrica residenciais.

Especificamente para os clientes da Eletropaulo, distribuidora que atende 24 municípios da Grande São Paulo, incluindo a capital, a conta de luz deve ficar 1% mais barata. A estimativa é de Fernando Camargo, sócio da LCA Consultores.

Os especialistas apoiam suas projeções, basicamente, em três fatores: as chuvas abundantes, a queda do dólar e ao resultado negativo do Índice Geral de Preços ao Mercado (IGP-M) em 2009.

Em um ano de reservatórios cheios, a Usina Itaipu atingiu a quarta maior produção anual de energia em seus 25 anos de geração.

Foram 91.651.808 megawatts-hora (MWh) produzidos ao longo do ano passado. Por conta das chuvas, a usina não precisou se valer das termelétricas – mais caras e poluentes – que são acionadas em períodos de seca.

O aumento da produção de energia foi acompanhado por uma queda nos preços. Quando as distribuidoras compram energia de Itaipu, a negociação é feita em dólar – por se tratar de uma usina binacional. Como, no ano passado, a moeda norte-americana apresentou desvalorização de 25,35% frente ao real, as compras ficaram mais baratas.

Por fim, o IGP-M – que tem impacto direto nos custos da compra e da distribuição de energia – ficou negativo em 1,72% em 2009, um fato inédito nos 20 anos em que o índice é medido. “Foi uma conjunção de fatores muito rara, que dificilmente se repetirá neste ano”, avalia Camargo, da LCA.

A Agência Nacional de Energia Elétrica, que regula o setor, vai anunciar qual será o reajuste das tarifas de energia elétrica para clientes da Eletropaulo apenas no início de julho.

Embora o cálculo de reajuste se baseie principalmente nos resultados do ano anterior, alguns fatores ainda podem influenciar a conta.

“O IGP-M, que tem impacto direto nos custos do setor, vai começar a subir um pouquinho a partir de agora”, avisa Camargo. Mesmo assim, o consultor mantém sua previsão de queda de preços. “Não há motivos para aumentar o valor das tarifas. O consumidor finalmente vai se beneficiar.”

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