Consumidora comprou, mas ainda não levou

Marcelo Moreira

28 de junho de 2011 | 12h20

do Estado de S. Paulo

Dos seis produtos comprados há três meses pela administradora Valéria Lúcia Gil, 30, no Comprafácil.com, quatro lhe causaram problemas. Foram várias dificuldades diferentes. A máquina de costura entregue não era a mesma escolhida. Procurada, a empresa levou dois meses para recolher a mercadoria e não a substituiu até hoje, depois de três das dez parcelas já pagas.

Ao reclamar do videogame defeituoso, foi orientada a procurar a assistência técnica, mas a fabricante diz que não oferece garantia ao modelo. Com o aparelho de som, o mesmo problema: produto danificado.

Já na caixa da capa que adquiriu para o automóvel, em vez do produto, estavam sacos cheios de ar. Os outros dois pacotes ainda não foram abertos. O receio de Valéria, que guardou o ar-condicionado e o purificador de água para a casa onde vai morar, é de que os produtos também lhe causem transtornos.

Para o fundador do site Reclame Aqui, Maurício Vargas, o colapso nas entregas que se abateu sobre o e-commerce no Brasil tem origem na escalada de consumo do último Natal, quando os portais de vendas tiveram um desempenho ainda mais espetacular do que o do varejo tradicional: 40% a mais de vendas em relação a 2009. As queixas no Reclame Aqui subiram 320% nessa comparação.

Antonio Morim, professor da Escola Superior de Propaganda e Marketing (ESPM), diz que os maiores portais de vendas do País são ligados a grandes grupos do varejo tradicional. “As empresas não entenderam que a operação na internet é bem diferente.”

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