Consumidor prefere crédito mais caro

Marcelo Moreira

02 de abril de 2012 | 07h11

Camila da Silva Bezerra

Cartão de crédito e cheque especial, apesar de terem as maiores taxas de juros do mercado, são as linhas mais procuradas pelo consumidor na hora das compras ou de pagar dívidas.

 Segundo estudo do Banco Central (BC) divulgado ontem, o gasto acumulado por meio do cheque especial em 2011 soma R$ 26,5 bilhões em outubro ante R$ 25,5 bilhões em setembro, 4,3% maior. No caso do cartão, o crescimento no mesmo período foi de 6,8%, passando de R$ 20,5 bilhões para R$ 21,9 bilhões.

“As pessoas recorrem a esse tipo de crédito pela comodidade, porque quando precisam de um empréstimo, os consumidores têm de ir ao banco. Com o cartão e o cheque, não. Outro fator a influenciar é a falta de educação financeira em nosso País, pois estudos mostram que, quando o pagamento é feito com cartão de crédito, o gasto é de até 18% mais do que se as compras fossem pagas com dinheiro”, afirma o professor James Teixeira, coordenador da pós-graduação em controladoria financeira da Fundação Armando Alvares Penteado (FAAP).

Não é de hoje que o brasileiro prefere o cartão e cheque ao empréstimo pessoal e consignado. As duas primeiras modalidades têm crescido desde janeiro, bem como a taxa de inadimplência da pessoa física, que em outubro atingiu o maior índice desde fevereiro de 2010: 7,1%. Diante deste número, os bancos têm aumentado a taxa de juros dos demais tipos de crédito. O empréstimo pessoal subiu 2,5% – de 49,7% para 52,2% ao ano.

Para o professor de finanças da Fundação Escola e Comércio Álvares Penteado (Fecap), Marcelo Cambria, a inadimplência maior é consequência da inflação, que reduz o poder de compra do consumidor. A inflação também foi responsável pelo avanço do Índice de Custo de Vida da Classe Média (ICVM), que subiu 0,35% na capital em outubro ante setembro.

Segundo a Federação do Comércio de Bens, Serviços e Turismo do Estado de São Paulo (Fecomercio), as categorias Habitação, Despesas Pessoais e Alimentação contribuíram para a alta.

 

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