Consignado: cuidado com o prazo

Marcelo Moreira

08 de julho de 2009 | 22h09

CAROLINA DALL’OLIO – JORNAL DA TARDE

Seis dos nove principais bancos que oferecem crédito consignado a aposentados e pensionistas do INSS cobram a mesma taxa de juros, seja para financiamentos mais curtos (de 2 anos) ou mais longos (de até 5 anos).

A manutenção da taxa independente do prazo se justifica pelo fato de o risco de inadimplência para os bancos ser baixo nesta modalidade – e, teoricamente, não se modificar com o tempo.

Porém, o fato de os juros serem os mesmos para empréstimos curtos e longos não significa que o custo financeiro da operação seja igual. Para clientes do Itaú, Unibanco e HSBC, por exemplo, os juros de um financiamento de R$ 3 mil em 2 anos somam R$ 1.025,76 ao final do prazo.

Se o empréstimo fosse feito em 5 anos, o valor correspondente aos juros seria de R$ 2.823,60 – R$1.797,84 a mais do que na primeira opção.

A explicação é simples. Quanto maior o prazo de financiamento, menor a velocidade de abatimento da dívida. Com isso, os juros incidem sobre um valor maior, o que encarece o empréstimo ao longo do tempo.

Portanto, é preciso cuidado na hora de de escolher o prazo de pagamento do empréstimo. Em alguns casos, não tem jeito. “Há situações em que o consumidor só consegue fazer a prestação caber no bolso se esticar o prazo ao máximo”, ressalta Miguel Ribeiro de Oliveira, vice-presidente da Associação Nacional dos Executivos de Finanças, Administração e Contabilidade (Anefac).

“É a única maneira de não ser exigido dele uma renda maior para o empréstimo”, diz Oliveira.Pelas regras do Ministério da Previdência Social, o aposentado pode comprometer no máximo 30% do valor do benefício com um empréstimo consignado.

Mas para quem não precisa esticar o prazo por conta do limite de comprometimento de renda, convém avaliar outros fatores. “Quem vai usar o dinheiro para financiar um bem (como um fogão, por exemplo) deve analisar qual é o tempo de vida útil desse bem e, dessa forma, tentar encurtar ao máximo o tempo de pagamento”, recomenda Marcela Galeno, professora do Laboratório de Finanças da Fundação Instituto de Administração (FIA). “Em cinco anos, o fogão pode até já ter quebrado e o aposentado ainda vai estar pagando as prestações.”

Para quem está enforcado em dívidas, o prazo mais longo pode ser bom negócio. “Se o dinheiro do empréstimo for usado para quitar uma dívida e ainda assim o consumidor precisar de mais um fôlego para pagar as outros débitos, convém esticar o financiamento para que as parcelas fiquem menores e ele ganhe um certo respiro no orçamento”, sugere Marcela.

O perigo é não pagar a dívida, gastar o dinheiro do consignado e fazer do empréstimo uma bola de neve. “Quem toma esse crédito deve se conscientizar de que parte da renda ficará comprometida e que não haverá como adiar o pagamento das parcelas”, avisa Marcel Solimeo, economista da Associação Comercial de São Paulo (ACSP).

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