Condomínio sobe mais que a inflação

Os paulistanos tiveram um reajuste acumulado de 10,66% nos valores pagos pelos condomínios nos últimos 12 meses. A alta é quase o dobro da inflação geral medida pelo Índice do Custo de Vida (ICV), que foi de 5,58% no mesmo período

Marcelo Moreira

28 Julho 2010 | 15h41

Gisele Tamamar

Os paulistanos tiveram um reajuste acumulado de 10,66% nos valores pagos pelos condomínios nos últimos 12 meses. A alta é quase o dobro da inflação geral medida pelo Índice do Custo de Vida (ICV), que foi de 5,58% no mesmo período, de acordo com um cálculo do Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (Dieese).

 Os maiores aumentos no ano foram registrados nos meses de fevereiro (4,32%), maio (2,47%) e junho (1,06%). O índice de reajuste dos condomínios é calculado pelo Dieese, que toma como base três fatores: água, energia elétrica e mão de obra.

Segundo a coordenadora do ICV do Dieese, Cornélia Porto, os dois primeiros fatores ainda não foram reajustados e, por isso, as variações estão relacionadas com o custo da mão de obra, como vigias e profissionais da limpeza, por exemplo. Além do reajuste da água e energia elétrica, o morador pode esperar novas altas no segundo semestre.

Isso porque estão previstos o dissídio dos funcionários das empresas de terceirização de mão de obra e os custos com 13º salário, que terão um impacto no preço do condomínio, explica o diretor de condomínio da Associação das Administradoras de Bens Imóveis e Condomínios de São Paulo (Aabic), Omar Anauate.

“O custo com pessoal, como porteiros, zeladores e faxineiras, representa cerca de 50% do condomínio”, conta o especialista. O diretor da associação explica ainda que muitas pessoas não sentem essas altas pontuais porque em muitos lugares o valor do condomínio é fixado para 12 meses e já têm esses aumentos previstos inicialmente.