Comer fora está 11% mais caro

Marcelo Moreira

06 de dezembro de 2008 | 00h20

PAULO DARCIE – JORNAL DA TARDE

Vai jantar fora hoje? Prepare o bolso. Quem pretende ir a um restaurante pagará em média 11,05% a mais que em janeiro deste ano pela refeição, e 11,78% pelo prato principal. A alta nos preços dos cardápios foi maior do que a inflação do período.

O levantamento é do Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (Dieese), cujo índice geral – que mede a inflação – entre janeiro e novembro foi 6%.

A coordenadora da pesquisa, Cornélia Porto, não vê razão para a discrepância. “O esperado é a correção pela inflação”,diz.

No primeiro semestre, puxados pela alta da demanda no mundo todo, os preços dos alimentos subiram. Segundo o economista Antônio Comune, da Fundação Instituto de Pesquisas Econômicas (Fipe), isso afetou mais os produtos negociados no exterior, com preços ligados ao dólar, como carne, açúcar e leite. Já outros, como o feijão, cujo preço caiu 11,5%, e hortaliças, que não entram na balança de exportações, equilibram os índices.

O preço dos alimentos é apenas uma das justificativas do setor. O coordenador do Sindicato dos Hotéis, Bares, Restaurantes e Similares, Edson Pinto, afirma que 2008 foi um ano péssimo. “Tivemos a lei seca e agora a crise econômica”, diz, criticando a lei que fecha o cerco a quem dirigir embriagado. “O movimento caiu 30% e não houve recuperação.”

Ricardo Bartoli, presidente da Associação Brasileira de Bares e Restaurantes (Abrasel-SP) cita vários fatores para a correção nos cardápios. “Tudo sobe: luz, água, telefone. Somos a ponta, não conseguimos segurar.”

Para o economista Alcides Leite, da Escola Trevisan, o setor gastronômico usa mal estratégias como promoções e busca por ingredientes mais baratos. Não é o caso de Armênio Martins, do restaurante Planeta’s, na rua Augusta. Para driblar as perdas sem corrigir o cardápio, sua fórmula é simples: vender mais. “Queimei uma ‘gordurinha’ do lucro, e o que faço é ser vir bem, com eficiência.”