Cobrança indevida e atrasos atormentam o consumidor

Marcelo Moreira

21 de março de 2011 | 08h29

Saulo Luz

O consumidor paulistano não aguenta mais receber cobranças indevidas, ter de levar os produtos para a assistência técnica e aguardar (em vão) a entrega de encomendas que sempre chegam atrasados. É o que mostra o Cadastro de Reclamações Fundamentadas em 2010 da Fundação Procon-SP, divulgado ontem em comemoração ao “Dia Internacional dos Direitos do Consumidor”.

Segundo o Procon-SP, cobrança indevida foi a principal reclamação dos consumidores, com 8.855 registros, 28% do total de 31.509 queixas fundamentadas. Uma das vítimas desse problema é a aeroviária Talita Santos Silvério, 26 anos.

Em outubro de 2009, ela contratou o serviço de um provedor de acesso à internet e recusou a oferta de um antivírus oferecido pelo site. Agora no começo do mês ela descobriu que vêm pagando pelo antivírus desde a contratação do provedor.

“Pedi para cancelarem e devolverem o valor que paguei a mais, mas eles querem devolver apenas o valor cobrado indevidamente nos últimos seis meses. Acho isso um absurdo, pois é um produto que não contratei e nunca usei porque nunca tive acesso”, conta.

Na lista do Procon-SP, as principais empresas que incorreram na prática de cobrança indevida foram Telefônica, Itaú Unibanco, Bradesco, Eletropaulo e NET.

O segundo maior motivo de reclamações foram produtos com defeito, que somaram 5.510 casos (15,7%). Nesse caso, lideram o ranking Samsung, Sony Ericson, LG, Positivo Informática e Nokia.

A advogada Taíse Aparecida Ribeiro Machado, 24 anos, teve problemas com o celular logo após a compra. Ainda no período da garantia, o aparelho foi consertado, mas, tão logo a garantia acabou, outros defeitos começaram a aparecer. “Primeiro, a bateria do celular não carregava direito. Depois, passou a travar durante a utilização da câmera e a desligar sozinho. Hoje, o aparelho nem liga mais. Morreu”, diz.

Outro motivo de destaque no Procon-SP são os problemas com entrega de produtos ou serviços (não definição do período, atrasos ou mesmo produtos faltando), com 2.658 reclamações (8,4%). As mais reclamadas foram Telefônica, B2W (Submarino, Americanas.com e Shoptime), Claro, Embratel e Casas Bahia.

O empresário Roberto Mourão Macedo, 57, comprou três netbooks em um site de vendas. Pagou à vista, mediante compromisso de entrega até 5 de fevereiro, pois precisava dos equipamentos com urgência.

Porém, ele recebeu apenas um aparelho. Desde então, reclama diariamente por meio do único número de telefone disponível, mas os computadores não são entregues e, segundo diz, nenhuma satisfação é dada. “Já faz mais de 45 dias que espero, isso porque a entrega era para cinco dias. E sempre que reclamo, me passam para um monte de operadores de telemarketing e ninguém faz nada.”

Empresas

O ranking do Procon-SP, que lista as empresas com o maior número de reclamações, é liderado pela Telefônica (pelo 5º ano consecutivo), seguida por Itaú, Bradesco, Samsung e Claro.

A empresa que menos atende às reclamações dos consumidores é o banco Santander/Real – 79,1% das queixas ficaram sem resposta – seguida pela AES Eletropaulo, que deixou de atender a 71,1% das reclamações .

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