Clientes se unem para processar loja

Marcelo Moreira

23 de maio de 2011 | 16h57

Camila da Silva Bezerra

Fernando Nakamura, Andrea Andrade, Sarah Santos e mais 70 pessoas. Em comum, eles têm mais de R$ 20 mil (cada) gastos em móveis planejados e inúmeros problemas desde a entrega até a montagem do que foi encomendado. Tudo por causa do fechamento de três lojas da ACR Comércio de Móveis, que trabalha com a marca da Criare.

Sem dar explicações aos clientes ou à fábrica, as unidades de Interlagos, Cotia e Washington Luís encerraram as atividades no dia 19 de abril. “Minha casa está totalmente desmontada”, afirmou a gerente contábil Carla Ramos, que desocupou os cômodos da residência para receber as peças projetadas pela empresa.

Parte do pedido foi entregue, mas ainda faltam os móveis e eletrodomésticos da cozinha. “Não tenho pia e, para poder cozinhar, tive de colocar o fogão na lavanderia.”

Fábio Jarber, administrador de empresas, comprou e quitou um home theater e peças de granito e mármore, que até hoje não foram entregues. Além do atraso, ele reclama que ainda está pagando as peças que já recebeu, mas por erro da fábrica, não conseguiu montá-los. “O pior é colocar o seu dinheiro em um projeto, vê-lo na tela do computador e depois descobrir que nada daquilo existe.”

A falta de previsão de entrega dos produtos levou a gerente de contas Danielle Viviani a sustar os cheques que passou para a Criare. Porém, os cheques foram repassados para financeiras de cobrança, que agora ameaçam incluí-la em listas de inadimplentes.

Sem saída, Danielle decidiu organizar um grupo para levar o caso à Justiça. A primeira ação ocorreu no dia 30 de abril, quando ela e outras 19 pessoas se reuniram na Avenida São João e fizeram um boletim de ocorrência na Delegacia do Consumidor.

Responsável pelo processo de alguns clientes lesados, o advogado Carlos Henrique Bastos da Silva não acredita em resultado por ação conjunta, por conta da individualidade dos casos.

“Há clientes que pagaram tudo, que quitaram parte da compra, que receberam parte dos móveis, que receberam móveis com qualidade inferior ao esperado e os que não receberam nada. No meu ponto de vista, é necessário individualizar os casos na Justiça”, afirmou.

O advogado especialista em defesa do consumidor e consultor do JT, Josué Rios vê na união dos consumidores lesados uma forma de acelerar a solução dos casos. “Mesmo aqueles que estão em processos individuais devem se juntar ao grupo, pois o grupo aumenta força para melhorar negociações e pressiona os órgãos de defesa do consumidor, além de trocar informações a respeito da melhor forma de contratar profissionais, e ainda reduz gastos com o processo judicial”, diz Rios.

Por meio de seu departamento jurídico, a Criare afirmou que vai atender todos os clientes lesados pela ACR e, para isso, os consumidores devem entrar em contato com a fábrica para agendar uma reunião com representantes da marca. Já os administradores das três unidades da ACR não foram localizados pela reportagem.

“Se as empresas (Criare e ACR) não colaborarem, em último caso, vamos orientar os consumidores a pedir a desconsideração da personalidade jurídica, para que o juiz possa responsabilizar os sócios donos da ACR”, diz Solange Silva, técnica do Procon.

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