Clientes reclamam da TIM

Marcelo Moreira

14 de julho de 2012 | 08h06

MARINA GAZZONI
 
O decorador Edison Guimarães Barbosa só consegue falar ao celular se colocar o aparelho na janela de casa, no viva-voz. “Se mexer em qualquer coisa, o celular fica fora de área”, diz o morador do bairro Vila Matilde, na capital paulista, que é cliente da TIM desde 2003. O sinal da operadora parou de funcionar na casa de Barbosa há três meses.

]Mesmo insatisfeito com o serviço, o cliente não quer trocar de operadora. “Eu cancelei o 3G, que não funcionava, mas fiquei com o chip da TIM para ligar com desconto para meus amigos”, disse Barbosa. Depois de reclamar na central de atendimento da empresa e no site Reclame Aqui, a solução encontrada por Barbosa para não ficar incomunicável dentro de casa foi comprar outro aparelho de celular e um chip da Vivo. “Funciona, mas sai mais caro.”

As reclamações de clientes sobre o serviço da TIM levaram o ministro das Comunicações, Paulo Bernardo, a ameaçar suspender as vendas da empresa. “Ou a TIM investe e melhora o serviço, ou vamos proibir a venda de novos planos”, disse o ministro na última terça-feira.

O Procon-SP recebeu 1.543 reclamações contra a TIM no primeiro semestre deste ano, 5,47% a mais que no mesmo período de 2011, mas a empresa não é a mais reclamada. A Claro somou 1.984 ocorrências no período. “É um setor problemático, as reclamações aumentam em todas as empresas”, disse o diretor executivo do Procon-SP, Paulo Goés.

O que chama a atenção do Procon no caso da TIM é o volume maior do que as demais em reclamações sobre falhas no serviço. “Não era um problema recorrente. O maior volume de queixas sempre foi sobre cobranças indevidas.”

Expansão

A TIM foi a operadora que mais aumentou sua base de clientes no último ano. A empresa somou 67 milhões de linhas móveis no fim do primeiro trimestre deste ano, um aumento de 27% sobre o mesmo período de 2011, segundo dados da consultoria Teleco. No período, a Vivo aumentou em 20% sua base de clientes; Claro elevou em 15% e a Oi, 12%.

A operadora ganhou mercado com uma estratégia agressiva de preços. O plano Infinity Pré, lançado em 2009, foi um dos primeiros a oferecer ao cliente a possibilidade de falar por tempo ilimitado a um preço fixo (de R$ 0,25) com clientes que também tenham celular da operadora. A promoção atraiu clientes – e sua rede de amigos e familiares.

A oferta concentrada em planos ilimitados faz com que a TIM seja a operadora com maior volume de “minutos de uso”, diz o consultor Eduardo Tude, da Teleco. Mas, para ele, “A ameaça do ministro das Comunicações de suspensão das vendas da empresa foi um exagero. O mercado reage naturalmente.

O técnico de informática Andrei Silva, após uma discussão com a TIM sobre uma cobrança indevida, vai trocar de operadora. Ele recebeu a ligação da empresa para aderir a um novo plano, com a promessa de só pagar a primeira prestação em agosto. “A conta veio em julho. Passaram a informação errada só para eu aderir a promoção. Vou mudar.”
Em comunicado, a TIM disse que “investe cerca de R$ 3 bilhões ao ano na ampliação de sua capacidade de rede”.

A operadora também ressaltou que é a “segunda melhor colocada no Índice de Desempenho no Atendimento da Anatel no primeiro trimestre deste ano e que melhorou sua nota no indicador em relação ao mesmo período do ano passado.”

Embratel

A Embratel classificou como uma “surpresa” a notícia da inabilitação do Consórcio 21 (Embratel, Claro, Hildebrando do Brasil e Americel) à concorrência do governo de Pernambuco para obras de infraestrutura e prestação de serviços de telecomunicações. O grupo foi o vencedor da primeira fase da licitação, com proposta de R$ 1,03 bilhão, mas foi desabilitado após contestação da Oi.

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