Clientes insatisfeitos abandonam Telefônica

Marcelo Moreira

30 de julho de 2009 | 01h07

No segundo trimestre, empresa perdeu clientes na telefonia fixa mas ganhou na banda larga , serviço que entrou em pane e teve a venda suspensa pela Anatel em junho

PRISCILA DADONA – JORNAL DA TARDE
ANDRÉ MAGNABOSCO – O ESTADO DE S. PAULO

Após liderar a lista de reclamações de consumidores insatisfeitos no Procon, no ano passado, a Telefônica agora está perdendo clientes.

Balanço divulgado ontem mostra que o número de linhas residenciais caiu em 484 mil, para 8,299 milhões no segundo trimestre do ano, o que representa queda de 5,5% na comparação com o mesmo período de 2008.

No segmento empresarial a perda foi de 596,4 mil linhas para 1,6 milhão, uma baixa de 3,3% na comparação entre os trimestres.

A Telefônica foi procurada pela reportagem para falar sobre estes números, mas não quis se pronunciar.

A reclamação principal dos clientes diz respeito à qualidade no atendimento. Foi o que motivou Telma Altomare, de 44 anos, a cancelar o Speedy e a linha. “Tive um problema há dois meses que nem a empresa e nem o portal de internet resolveram. Então parti para outra”, desabafa.

A assistente de seguros reclama também que os valores cobrados pela empresa são sempre maiores que o combinado. “Sempre quando ligo há um valor a mais”.


Telma Altomare, ex-cliente da Telefônica: “Tive um problema há dois meses que a empresa não resolveu. Então parti para outra” (FOTO: JONNE RORIS/AE)

O administrador Henrique Ciboto, de 22 anos, é outro cliente que deixou a Telefônica por causa do mau atendimento. Ciboto fez uso da portabilidade numérica há dois meses.

“A Telefônica é muito ruim e o atendimento é péssimo, comparado a outras empresas. Eles não dão importância ao cliente e, quando precisamos da empresa, ela não nos dá suporte”, afirma.

Insatisfeito também com o atendimento da Telefônica está o aposentado Sérgio Rodrigues, de 65 anos, que ainda não cancelou os serviços de banda larga e nem de telefonia fixa.

“Estou descontente com a empresa, mas se todos migrarem para outra operadora ela não vai suportar”, afirma o aposentado que resolveu dar um crédito de 30 a 45 dias à empresa. “Se não melhorar, eu mudo”, afirma.

Apesar de perder linhas, a empresa aumentou o número de adesão de seus clientes na banda larga. Para assinar o Speedy é preciso possuir linha fixa da Telefônica.

No segundo trimestre de 2009, o produto cresceu 2,6% na comparação, neste caso, com os três primeiros meses de 2009. Isso significa que a suspensão da venda do Speedy, no final de junho, ainda não consta neste relatório.

A Telefônica diz que já concluiu a implantação do Plano de Estabilidade exigido pela Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel) para retomar as vendas do Speedy, mas ainda não recebeu autorização para voltar a comercializar o produto.

A companhia informa que investiu R$ 903,6 milhões no segundo trimestre deste ano para ampliar a capacidade de banda larga, cuja conclusão está prevista para o final de 2009.

Além do aumento de clientes do Speedy, a Telefônica também registrou expansão nas vendas de pontos de TV por assinatura. A base de clientes atingiu 514,3 mil, alta de 2,4% em relação ao primeiro trimestre de 2009 e de 48,3% sobre o segundo trimestre de 2008.

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